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terça-feira, 4 de março de 2014

Ciência sem idolatria - o alerta de Susan Haack

Talvez o maior êxito do advento da ciência seja a novidade quanto a sua atitude intelectual. Para sermos justos, a "descoberta" da razão é uma façanha grega da antiguidade clássica. Mas a ciência entendida como uma empresa coletiva e republicana voltada a uma explicação da realidade, guiada por uma postura racional (notadamente balizada por um ceticismo "saudável") é uma invenção da modernidade. São inegáveis seus espetaculares resultados teóricos e  tecnológicos neste relativamente curto período histórico.  Tão impressionantes que suscitaram em muitos uma compreensão equivocada da mesma, a ponto de comprometer sua legítima tarefa epistêmica. Principal erro: tomá-la como uma panacéia!

No texto a seguir, Susan Haack, de forma clara e lúcida, chama atenção para os perigosos excessos da idolatria à ciência, sem esquecer que, apesar de tudo,  ela é uma das maiores conquistas humanas.


 Carlos A. Miraglia (UFPel)


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sexta-feira, 9 de março de 2012

Por que não sou mais um cético ? (Stephen Bond)

Ocasionalmente, eu tento provocar o saudável debate acerca das premissas da chamada "comunidade cética" - supondo que seja apenas uma e, também, homogênea (o que não creio) - como na questão de onde estão os neoateus progressistas. Ou quando questiono (a pobreza d)os métodos analíticos geralmente empregados, como no debate sobre a argumentação teísta de Plantinga. Esse é um tema que realmente me assombra, a constatação do reacionarismo político entranhado no discurso e nas práticas de tantos ditos "céticos". No extremo, espanta-me quando um Richard Dawkins descamba para a pregação de puro e simples ódio, como faz muitas vezes. Quero entender por quê isso, e destilar possíveis regras, pois não posso crer que todos os seus admiradores, por exemplo, pensem desta forma destrutiva (para ficar no exemplo da sua pregação anti-islâmica). Pois nas últimas semanas o blogue-irmão Bule Voador está publicando, em partes, uma excelente tradução de uma magnífica reflexão do irlandês Stephen Bond, que mantém um excelente quase-blogue chamado Stephensplatz. O artigo intitula-se "Por que não sou mais um cético". O original desse texto, na íntegra, está aqui, mas fomos autorizados a reproduzir os trechos já disponíveis (4 das 5 partes) a seguir, na tradução primorosa de Alê GM, colaborador do Bule. É um texto sensacional. O autor diz muitas verdades e disseca outras com clareza extraordinária, retirando o véu de intocabilidade que também é um mecanismo de (auto)defesa que todo militante do pensamento crítico deveria estar preparado & disposto a levantar, nolens volens.

Leiam e opinem (atenção: postagem longa).
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O metrô virtual da ciência, razão e espírito crítico

Inspirado nos diagramas topológicos do metrô de Londes desenhados por Harry Beck em 1931, muito mais esclarecedores que mapas topograficamente precisos, Crispian Jago nos traz um belísimo Mapa da Ciência, Razão e Espírito Crítico (imagem ampliada da figura ao lado) em seu blogue "homônimo" (e cujo subtítulo é "Waving a Shitty Stick at Irrational Nonsense"). Vale a pena passear o cursor sobre o mapa e ler as associações e escolhas que ele fez. O que são as zonas tarifárias no mapa original, corresponde ao século de cada conjunto de cientistas, e as investidas inter e multidisciplinares são representadas como estações de transbordo (duas ou mais estações conectadas por passagens também subterrâneas).

Um deleite!

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

VI Taverna Cética (SitP) em Porto Alegre

Vem aí a sexta edição do Taverna Cética / Skeptics in the Pub (#SITP) Porto Alegre!

 Autor: Daniel Oliveira

Cartaz preliminar do 6o Taverna Cética (#SITP) 


Quando? Sábado, 5 de novembro de 2011 às 20:30h. Isso mesmo, um Sábado! Atendendo a pedidos, desta vez o SITP vai ser em um final de semana.
Onde? Espaço Cabral, entrada pelo Santíssimo, o mesmo bar dos últimos encontros. Endereço: Av. Sarmento Leite, 888 (esquina com Lima e Silva). Porto Alegre – RS. (Ver Mapa).
Quem? A próxima edição do Taverna Cética contará com a presença de Åsa Heuser (ex-astróloga, vice presidente da LiHS) e de Horacio Dottori (astrofísico, pesquisador do Instituto de Física da UFRGS) debatendo o tema Astronomia x Astrologia.




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terça-feira, 9 de agosto de 2011

"Depressa e bem não faz ninguém"

Eis aqui um bom tema para discussão:

MANIFESTO POR UMA CIÊNCIA SERENA

slow-science.org

Nós somos cientistas. Nós não blogamos. Nós não tuitamos. Somos donos do nosso tempo.

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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Fotos da IV Taverna Cética

O público do nosso quarto encontro não foi tão grande quanto esperávamos (talvez por alguma abdução ou eventos de meio de semestre não documentáveis), mas tivemos cerca de 60 (in)fiéis ouvindo as sábias palavras proferidas pelo Jeferson e o Jorge.



Todas as outras fotos estão AQUI! E o próximo evento já está sendo planejado para Agosto!

Lembrando que a Taverna Cética (Skeptics in the Pub) de Porto Alegre é uma realização do Ácido Cético e do Bule Voador - LiHS.
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

3 segundos para desmascarar um vidente!




O diálogo é mais ou menos assim:

(entrevistador) Então você diz ser "clarividente", que é capaz de adivinhar o futuro, certo?

(vidente) Exatamente! Eu prevejo o futuro!

[ tapa na cara ]

(entrevistador) E isto aqui? Você previu que aconteceria? ... Como podem ver, não dá muito trabalho desmascarar um mentiroso!


Obs.: Link doYouTube, com legendas em inglês

Créditos: Clara Adams (valeu, Clarinha!)

Balde de água fria: por mais que alguns gostassem que fosse real, trata-se de um programa humorístico da TV+ francesa, "Bienvenue au Groland", um micropaís fictício (melhor aqui) mais ou menos como a Sbórnia. Mas que seria legal, seria...





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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Chico Xavier x Bertrand Russell (Joel Rufino dos Santos)

Fui convidado a um programa de rádio sobre o médium Chico Xavier. Cheguei a ir à emissora. No último instante, tive o juízo de desistir. Provavelmente com meu ceticismo sobre a realidade dos espíritos, vida após a morte etc., acabaria ferindo a susceptibilidade de algum ouvinte crente.

Não é que devamos declinar do debate com crentes. Por filosofia, nada do que é humano nos deve ser estranho. A própria filosofia nasceu e se desenvolveu pela suspeita da crença. Desse amor humano ao saber (filo-sofia) vieram as ciências. Elas emergiram com dificuldade da nebulosa mítica inicial. Mas, num programa de rádio, na televisão, em sala de aula, mais vale a prudência: deixar os crentes com sua crença.

Anos atrás, numa aula de literatura, eu falava dos critérios de verdade: “Se, por exemplo, um cachorro entra por aquela porta e nos dá bom-dia, não acreditaremos. Vemos e ouvimos o cachorro, mas não acreditamos: cachorros não falam”. Quis reforçar a idéia e pedi que olhassem a baía de Guanabara pela janela, azul e cálida: “Se alguém viesse andando sobre o mar, neste momento...''. Um aluno levantou o braço imediatamente: “Andar sobre as águas, nem por hipótese. Só Nosso Senhor Jesus Cristo!”. Pedi desculpa, arranjei outro exemplo.

Hoje se tornou comum alunos evangélicos e espíritas confrontarem professores. Com a velhíssima arma da razão, podemos compreendê-los; eles não nos podem compreender, já que se baseiam numa crença. Crença, por definição, é indemonstrável. Foi impossivel (pelo menos até hoje) demonstrar, pela lógica, assim como provar, pela experiência, que mortos se comunicam com vivos. Um dos lemas da Igreja Positivista era “Os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mortos”. O Barão de Itararé gozou: “Os vivos são sempre e cada vez mais govenados pelos .. mais vivos”. Esta é a linha divisória: nós, os céticos rationalistas, nos movemos no mundo dos vivos e mais vivos; eles, os crentes irracionalistas, no mundo dos mortos e deuses. Cada macaco no seu galho.

No mundo dos vivos há muito que explicar. Por exemplo: por que a idade da ciência e da técnica é também a da crença, do misticismo, da astrologia, da cientologia, dos gnomos, dos Chico Xavier? Bom, primeiro porque é um grande negócio. Aliás, a terceira neta de Einstein, Evelyn, formada em antropologia e literatura tem, na Califórnia, a rendosa profissão de “desprogramadora de seguidores de culto”. Uma ironia atroz.

Mas não é tudo. A ciência, com sua empáfia, e a técnica, com sua subserviência ao capital, favorecem o irracionalismo místico. Muitos cientistas afirmam que, mais cedo ou mais tarde, explicarão tudo. Muitos tecnólogos prometem que inventarão todas as máquinas para conforto do homem.

O senso comum de nossa época é ambivalente com relação à ciência e à técnica. Ao mesmo tempo que acredita em suas promessas, desconfia que haverá um outro saber, mais anterior e profundo, que as cauciona e lhes estabelece limites. 0 homem, enquanto homem, não precisa da ciência e da técnica para existir. A existência precede as duas.

Não entrei no programa sobre Chico Xavier. Chamo Bertrand Russell em meu socorro: “O que é necessário não é a vontade de acreditar, mas o desejo de descobrir, que é justamente o oposto”'.

Joel Rufino é historiador e escritor ( Revista Caros Amigos, No158 / maio de 2010 )






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terça-feira, 13 de abril de 2010

A páscoa também é dos céticos


O recém passado feriado da páscoa,
que celebra a parte mais mística do credo cristão (ressureição, ascenção, provas de divindade, etc), contém alguns elementos interessantes. E irônicos. Afinal, não custa recordar que a força persuasiva dessa importante efeméride é precisamente o oposto do que se entende como "credulidade": um cético foi convencido da veracidade do milagre!

Entre os cristãos, São Tomé (ou Tomás) é o símbolo da dúvida ou do "ceticismo". A idéia está representada no belíssimo "A incredulidade de São Tomé" de Caravaggio, acima. Diz-se que São Tomé duvidava da ressurreição de Jesus Cristo e exigia tocar nas feridas dele para se certificar do fenômeno (João 20:24-29). Diz a lenda que ele tocou e acreditou. E o resto da cristandade acreditou no "relato" disso no Novo Testamento (escrito, aliás, muitos anos após o ocorrido - veja também o documentário de um crente bastante crítico, Robert Beckfords).

Ora, nada mais crível que um "cético que foi convencido", certo? Por que eu, que não estive lá, ousaria duvidar?

O melhor golpe de psicologia da persuasão vem ao final desta parábola, para regozijo dos crédulos (aqui numa tradução livre): "Felizes são os que não viram, mas assim mesmo creram!"

Voltaremos a falar na validade empírica de "relatos" quando retomarmos o tema dos OVNIs.

Sobre a validade da bíblia, consulte nosso "especialista em tudo-que-há", nos fios soltos (threads em língua matricial) espalhados por toda parte em nosso blogue, que, ao contrário de outros por aí, PERMITE a livre expressão de opiniões, mesmo quando confusas, desinformadas ou mesmo mal-criadas: é o ônus de sermos, além de cientistas, educadores.

E não se assustem com a quantidade de postagens que nosso "especialista" consegue verter (nada como ser jovem e ter tanto tempo livre). A estratégia que ele usa é uma adaptação do procedimento computacional conhecido como ataque de negação de serviço (Denial of Service) onde se visa basicamente tornar os recursos de um sistema indisponíveis para seus utilizadores mediante a saturação ou sobrecarga do mesmo. Daí por que tantas e tantas longas mensagens.

* * *

Fica aqui também o registro do outro feriado que celebramos com alegre ceticismo (esteve por três meses no alto da barra direita de nosso blogue):

Feliz Newtal a tod@s!

Feliz Newtal a tod@s!
É claro que não esquecemos do bom velhinho...

Vínculo desta imagem:
http://coletivoacidocetico.blogspot.com/2008/12/feliz-newtal-para-todos.html

Fonte desta imagem:
http://www.rebelion.org/imagenes/p_25_12_2009.jpg



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