terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Feliz Newtal para todos!

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"Natal" significa nascimento. A maioria dos povos antigos do hemisfério norte comemoravam o solstício de inverno, data da noite mais longa do ano, marcando assim o "renascimento" do próprio Sol. Solstício quer dizer "sol parado" em latim, pois nessa data ele pára de se afastar da eclíptica em sua trajetória anual. Em 45 AC, o imperador romano Júlio César definiu a comemoração do solstício na data que nos é familiar - 25 de dezembro - declarando-o Dies Natalis Invicti Solis (“Nascimento do Sol Inconquistável”), expressão de onde derivou o termo "Natal" nas línguas latinas. No atual calendário gregoriano, o solstício ocorre entre os dias 20 e 23 de dezembro, que é quando, no hemisfério sul, temos o solstício de verão, simétrico ao de inverno no norte.

Foi apenas no século IV que o papa Júlio I definiu a data de comemoração do nascimento de Jesus como tendo se passado justamente na data do solstício de inverno, em 25 de dezembro, aproveitando que a data sempre foi sistematicamente celebrada pelos povos "pagãos". Nascia, assim, o Natal das Igrejas Cristãs (como ainda não houvera nenhum cisma importante, a data foi igualmente incorporada por todas as dissidências da igreja católica romana).

Bem, há DE FATO um nascimento importante ocorrido exatamente em um 25 de dezembro. Foi o nascimento de um homem que não contou com uma estrela de Belém, mas que permitiria que pudéssemos compreender os movimentos das próprias estrelas. Em 25 de dezembro de 1642 nascia, em Woolsthorpe, Inglaterra, Sir Isaac Newton. Essa era a data no calendário então vigente naquele país, o calendário Juliano (ou OS, de "Old Style"), pois, pelo calendário atual, Newton nascera em 4 de janeiro de 1643.

Pouco seres humanos contribuiram mais para o entendimento do mundo que nos rodeia do que Sir Isaac Newton, tendo-nos legado descobertas como a lei da gravitação, as leis do movimento e o espectro da luz, conceitos como o teorema binomial e o próprio Cálculo, além da invenção do telescópio refletor, entre outros.

A proposta de celebrar o Newtal, alternativamente à similar festa cristã, envolve a decoração das árvores de Natal com maçãs, em alusão ao anedótico episódio de Newton sob a macieira. Se algum cristão reclamar, lembre-o de que em Jeremias 10:2-5 ficamos sabendo que enfeitar árvores é “vaidade pagã e inútil“... Já enfeitar árvores é um costume muito anterior ao cristianismo, e simboliza a própria vida.

Decore a sua árvore com maçãs, e celebre também o conhecimento e a razão!

Feliz Newtal!

25 de dezembro! Nasceu Newton!


Fonte
: texto de 100nexos (possivelmente o original) aqui livremente adaptado.


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OBS.: A festa de "Newtonmas" (ou Gravmas) foi inventada, ao que parece, por John Wilkins, embora nem todos achem ideal celebrar o velho Isaac em função de certos traços pouco elegantes de sua personalidade (mas aproveite para cantar a canção natalina que aparece ali!).

OBS.2: Envie este cartão aos amig@s!


OBS.3: Para uma abordagem mais mal-humorada sobre o Natal, veja o que dizer para seus filhos...

10 comentários:

André Kugland disse...

Ah, vão pastar. Newton era quase um ocultista, e vocês me vêm com essa cultura de almanaque achando que ele era Laplace!
Celebrem o primeiro de julho em vez disso. :)

Jef disse...

Newton não era QUASE um ocultista. Ele
ERA um ocultista. Todos sabemos disso. Pra começar, a idéia do Newtal é para ser uma piada. Não imagino ninguém montando um altar com macieiras em miniatura para comemorá-lo, nem lojas com homens de perucas cacheadas atraíndo crianças e clientes para as compras. Porém, apesar de todas suas obras místicas, Newton certamente deixou um legado para a humanidade. Alguns, como Isaac Asimov, o consideram o maior cientista de todos os tempos. Não seria justo comemorar seu nascimento?

André Kugland disse...

A opinião do Asimov não é lá muito importante, ele é um escritor popular, sua obra como cientista é pífia.

Por que não celebrar o primeiro de julho? Leia o Specimen Dynamicum e veja o quanto a física de Leibniz estava à frente da de Newton.

Jef disse...

Desmerecer o Asimov (ad hominem) não ajuda muito o teu ponto. Ele tinha formação científica e era um excelente divulgador científico. Mas essa opinião é compartilhada por muitos. Por exemplo, numa pesquisa feita pela Royal Society de Londres, Newton ganhou disparado entre os membros (claro, pode haver uma certa tendência por Newton ser inglês, mas há vários blogs que comentam esses resultados e são, na média, pró-Newton). Nota que a disputa é entre Newton e Einstein, a mesma colocada pelo Asimov.

Newton deixou um legado fenomenal para a humanidade, e é reconhecido por isso. Se Leibniz tinha ou não uma concepção mais avançada ou não, é assunto para os historiadores da ciência, pois ela não vingou. Seus conceitos (por exemplo, o de força) NÃO são os que usamos hoje, e que aprendemos na escola, mas sim os de Newton. Além disso, se perguntares para qualquer um que tenha feito o segundo grau, quase todos terão ouvido falar em Newton, mas quantos ouviram sobre Leibniz, Laplace, etc? Newton, assim como Einstein, é um nome popular. Curioso que existam muitos Niltons, mas poucos Ainshtains no Brazil... :-)

Ney Lemke disse...

Considerar Newton como um campeão da razão é na minha concepção um equívoco histórico. Existe uma vasta evidência histórica que o misticismo e a religião eram extremamente relevantes para Newton. Aliás existem até evidências que seus experimentos cabalísticos tiveram sua importância para a lei da gravitação universal. O magnetismo nesta época era tema para o ocultistas e mágicos, e a idéia da ação a distância pode ter vindo daí. O prisma que ele comprou em uma feira perto de casa também era vendido com finalidades místicas.
Assim sejamos céticos em relação ao ceticismo de Newton.
O Newton racionalista e iluminista é uma invenção de Voltaire, poderosa, atraente, mas uma fantasia.
Mas Feliz Newtal de qualquer forma.

Jef disse...

Ney,
Como bem lembrou Robert Parks, talvez fosse o caso de comparar os legados daqueles cujos aniversários são comemorados no mesmo dia, não? Ninguém nega o misticismo de Newton, o que aliás não era tão absurdo para a época em que viveu, o que nnão podemos deixar de contextualizá-lo. A idéia de comemorar seu aniversário não é por ele ser um bastião do ceticismo, mas pelo seu legado para a ciência.

Jorge Quillfeldt disse...

Após todos termos pastado um pouco, creio que o Jeferson acabou contemplando as questões levantadas. Em nenhum momento propus Newton como "campeão do ceticismo", mas, sim, como alternativa bem-humorada a ser difundida no dia 25/12 (e eu inclusive avisei das diferenças de calendário, Ney!).

Uma das características menos úteis de muitos céticos é o mau-humor. Assim só vamos promover o misticismo universal...

De qualquer maneira, eu comi umas maçãs no natal! Quem sabe não cometi também algum pecado original e acabarei fulminado por um raio rosa...

Carlos Silva disse...

Olha Jorge, achei essa do Newtal muito original.

Já imaginaram o Santa Claus levando umas maçãs pela cabeça, quando subrepticiamente coloca presentes na sala? Os impropérios ditos certamente causariam um alarde e a semente do ceticismo seria implantada de vez nos inocentes. Muito boa!

Agora virem com esse papo de fulano era místico ou alquimista e não era cético. Faça-me o favor! Isso significa que daqui há uns 50 anos teremos céticos, nesse mesmo blog, rindo dos conteúdos postados pelos céticos mais excerbados.

No meio em que foi formado e com o conhecimento acumulado até então, Newton poderia ser diferente? O grande Leibnitz, por outro lado, era adepto de outro “misticismo”, o luterano, e entre tantas contribuições importantes à matemática e à física, sua teorização sobre as mônadas é uma das mais importantes contribuições à metafísica.

Quem impõe normas cegas, index e excomunga são as religiões. Esse pretenso purismo chega inclusive a mandar “bolas nas costas”, como Roma fez com o fiel Rebelais que, através da escatolgia, procurava ridicularizar os habitos mundanos do populacho; mas a igreja achou que o cara era depravado e indexou suas obras. Fazer o que né ... . Bem, é claro que nesse viés é possivel falar sobre a relatividade geral, desde que apenas citemos, muito rapidamente, as inicais do místico: AE.

Jorge, vamos chegar a um acordo: no próximo Newtal mande um post com um pinheiro carregado e maçãs (dedução do Newton), encimado por uma lâmpada de LED (mônada do Leibnitz). Assim todo mundo que merece é homenageado.
Saudações!

Ney Lemke disse...

No The Big Bang Theory do natal de 2009 aparece uma referencia ao Newtal. Inclusive com este nome!

O Sheldon ate mesmo faz a correcao
que o calendario na Inglaterra era diferente. E coloca a maca na arvore. Mas o estranha e que a piada nao funciona em Ingles!

Vasculhando pela internet descobri que existem varias referencias ao Newtal, algumas datando de 2004. Mas não consegui recuperar a historia da ideia.

Jorge Quillfeldt disse...

Olá, Ney,

Sobre a autoria da idéia do Newtal, na época eu procurei exaustivamente a origem da proposta e cheguei num tal John Wilkins (2007), informação que, aliás, escrevi numa NOTA ao texto.

Mas, procurando melhor, achei referências ao "Newtal" (Newtonmas), anteriores, do ano de 2005, e, por fim, de 2002: a efeméride teria sido proposta por um tal de Eliezer Yudkowsky, membro do movimento "Transhumanista" e integrante do "Singularity Institute", que é um pessoal meio pancada que, a propósito, deveríamos discutir aqui um dia desses, especialmente pelos desafios éticos que propõem (alguns deles inaceitáveis, a meu ver).

Essa primeira ocorrência de "Newtonmas" é de 01/12/2002. Outro proponente comumente apontado é Gordon Worley, também um "transhumanista", mas ele só aparece mencionando isso lá por 2004 (e trocando correspondência com o Yudkowsky!).

Nessa vasculhada histórica (típica de final de férias) acabei esbarrando num histórico feito por um desses TH mostrando que a expressão já existia em 1890, tendo sido usada na revista Nature!

Curiosamente, HAVIA um verbete na Wikipedia sobre essa proposta, mas ele acabou sendo DELETADO por "irrelevante" ... Vale a pena ler a
discussão que antecedeu sua deleção
, porque tem uma boa relação com várias coisas que discutimos por aqui....

Essa "remoção" pode ou não ser mais um dos sintomas progressivos de autoritarismo e manipulação na Wikipedia, este empreendimento coletivo que supostamente deveria ser livre... é cedo para saber.

A página foi apagada em 2008, mas, como quase tudo na grande rede, pode ser resgatada, por exemplo, através da WayBackMachine: veja-a aqui (versão simples de 21/12/2005).

O certo é que enquanto "Newtonmas" não voltar às páginas da Nature, não voltará à Wikipedia...