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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Experimentação com animais: o que está errado

No lamentável episódio da destruição de um importante laboratório científico-tecnológico brasileiro, vemos o resultado de vivermos em uma sociedade que se diz livre, mas que na verdade está mesmo está "livre" dos conhecimentos essenciais referentes a sua própria auto-subsistência. Somos um paradoxo!

Uma sociedade cuja mediação dos conhecimentos em grande escala está concentradíssma nas mãos da grande mídia, norteada basicamente por interesses econômicos imediatos e dedicada a enfocar somente aquilo que comove, abala, ou vende... Enfim, não é de estranhar que existam cada vez mais  pessoas que, abandonadas em meio à neblina espessa da desinformação generalizada, acabam alimentando toda sorte de postura obscurantista. Ironicamente o mesmo tipo de obscurantismo que costumam criticar ou temer quando se manifesta noutras latitudes...

O problema é complexo e multicausal, não há dúvidas, mas se deve também, em boa parte, a um fracasso da comunidade científica, que não tem feito sua parte, qual seja: um trabalho sistemático de divulgação científica que esclareça à população o que se está fazendo, por que se está fazendo, e que explique por que é necessário - pelo menos por enquanto - utilizar-se animais de experimentação nas ciências biomédicas, em diversos estágios do desenvolvimento científico e tecnológico.  Ou por que seria uma imensa irresponsabilidade abdicar, neste momento, deste instrumento epistemológico.

Na coluna Observatório da edição de fevereiro da revista Scientific American Brasil, tentei sintetizar os principais aspectos - geralmente desconhecidos e muitas vezes distorcidos - desse complexo e incendiário tema. Leia a seguir.

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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Do achincalhamento dos cientistas brasileiros ...


A SBPC e ABC encaminharam neste 1o de junho uma Nota Oficial à Imprensa que precisa ser conhecida por toda cidadania, em especial na blogosfera científica, pois a recente aprovação do chamado Novo Código Florestal é um episódio politicamente vergonhoso e racionalmente /cientificamente alarmante. Trata-se de um precedente gravíssimo. Perdemos a chance de fazer as pazes com a ciência, como opinamos antes aqui neste blogue. Contribuições competentíssimas como o livro da SBPC/ABC e o relatório da Fundação Zoobotânica RS, entre outras, foram solenemente ignoradas. Ainda há etapas a vencer (Senado, homologação, etc) mas as chances de desfazer os mal-construídos pilares do PL são, agora, bem mais escassas. A aprovação da licença de Belo Monte esta semana confirma o rumo de nossas novas políticas ambientais. Salve-se quem puder!

Apesar disso, a nota abaixo reproduzida responde ao achincalhamento e desprezo a que fomos submetidos, com altura, dignidade e respeito às pessoas, à natureza e ao país.

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terça-feira, 10 de maio de 2011

Hoje: a chance de fazermos as pazes com a ciência


Ninguém em sã consciência proporia revogar as leis da física - gravitação, inércia, etc - por mais desagradáveis que suas consequências possam ser para quem cai de certa altura (bem, isso não inclui os ignorantes em ciência, claro...). Uma das coisas que aprendemos quando crescemos e amadurecemos é que não adianta "brigar" com a natureza além de um certo ponto: em geral temos mesmo é que nos adaptar ao que há. Às vezes até podemos contornar obstáculos com tecnologias, outras vezes confiamos demais nesse tipo de saída (a ilusão conhecida como "technofix"). O fulcro do problema, porém, está sempre em QUEM decide, e POR QUE...

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domingo, 29 de agosto de 2010

Dráuzio Varela: Se é "natural", é seguro?

Incontáveis plantas venenosas (sem falar em animais peçonhentos) parecem teimosamente negar essa possibilidade... Sabendo do risco, poucos ingeririam alegremente uma salada de mamona, por exemplo

Mas e quando NÃO se conhecem os riscos?

Isso pode se dar de duas formas: desinformação (desconhecimento) ou mal-informação. Neste blogue temos denunciado e discutido diversas formas de "má informação" conforme propagadas pelas chamadas pseudociências, mas às vezes o problema tem raízes mais antigas - e, geralmente, mais honestas - como é o caso das tradições culturais de um povo. Relatos populares e usos tradicionais de plantas por diferentes culturas são muitas vezes indicadores da existência de princípios ativos reais, mas essa informação é, no mínimo, incompleta. Quando não perigosa.

Quem está levantando essa lebre (um animal não peçonhento...) é o conhecido médico e divulgador Dráuzio Varela que pretende, inclusive, veicular seus comentários no programa Fantástico da TV Globo. Bela briga ele vai comprar!

Saiba mais lendo a entrevista que deu à revista Época, a seguir:


Você confia nas ervas medicinais?
Drauzio Varella, o médico mais popular do Brasil, questiona a eficácia das plantas e dos fitoterápicos e cria uma enorme polêmica
Cristiane Segatto e Aline Ribeiro

O uso de plantas medicinais é um dos traços da cultura brasileira. Todo mundo já ouviu falar sobre os benefícios de determinado chá ou de medicamentos à base de plantas, os fitoterápicos. E não só no Brasil. Os fitoterápicos movimentam no mundo US$ 14 bilhões por ano. São obtidos de plantas e vendidos em forma de extrato, tintura, óleo etc. Estima-se que no Brasil esse mercado gire em torno de US$ 400 milhões por ano e empregue 100 mil pessoas. De todos os remédios colocados nas prateleiras das farmácias brasileiras, 2,8% são feitos de vegetais. E as vendas crescem em torno de 12% ao ano, segundo a consultoria do setor farmacêutico IMS Health. No setor dos medicamentos sintéticos, chamados de alopáticos, o crescimento é menor, de 5%.

Os consumidores de ervas medicinais e fitoterápicos acreditam que eles são tão seguros e eficazes quanto as drogas convencionais vendidas nas farmácias ou distribuídas nos postos de saúde. Mas talvez não sejam. É o que Drauzio Varella, o médico mais popular do Brasil, promete discutir na série “É bom pra quê?”, que estreia neste domingo no Fantástico.

Há duas semanas, Drauzio falou sobre o assunto a ÉPOCA On-line. Criticou a falta de sólidas evidências científicas que poderiam justificar o uso de fitoterápicos. Condenou a política do Ministério da Saúde de distribuição de medicamentos fitoterápicos no SUS e a lista de 66 plantas medicinais preparada pela Anvisa para orientar o uso de chás. A reação foi imediata. Drauzio foi acusado de ser mal-intencionado, de estar a serviço da indústria farmacêutica, de tentar atrapalhar a candidatura de Dilma Rousseff. A polêmica explodiu, envolvendo médicos, consumidores e até o Ministério da Saúde.


EM CAMPO
Drauzio Varella na Amazônia, onde há 15 anos coleta plantas para testá-las contra o câncer. “Se eu usasse esses extratos nos meus pacientes, seria criminoso”, diz


Jaldo de Souza Santos, presidente do Conselho Federal de Farmácia, publicou uma carta aberta atacando o médico do Fantástico. “Achamos precipitada a sua opinião ao afirmar que a indicação de plantas e fitoterápicos é um erro”, disse ele. Drauzio respondeu: “Condeno a falta de estudos clínicos dignos desse nome. Enquanto admitirmos esse empirismo irresponsável, a fitoterapia jamais será levada a sério no Brasil.” No site de ÉPOCA, houve mais de 240 comentários sobre o assunto, a maioria esmagadora atacando Drauzio. No Twitter, foi criado um movimento Cala a Boca, Drauzio.

“Pelo conteúdo das críticas que recebi depois da publicação da entrevista, posso antever o que acontecerá quando a série for ao ar. Paciência”, disse o médico. Drauzio pesquisa o potencial farmacológico das plantas há 15 anos. Faz expedições à Amazônia em busca de substâncias que possam demonstrar alguma eficácia contra o câncer. É um trabalho demorado. Até agora, as plantas coletadas deram origem a 2.200 extratos. Desses, 190 apresentaram alguma atividade contra células tumorais e oito serão testados em animais. Daí a desenvolver uma droga útil para seres humanos há um longo caminho. “Se eu tratasse meus pacientes de câncer com os extratos que mostraram atividade contra células malignas em nosso laboratório, seria considerado criminoso”, diz. “Por que essa regra não vale para os que receitam produtos que não passaram pelos estudos de toxicidade e pelas avaliações clínicas exigidas dos medicamentos convencionais?” Esse é o cerne da controvérsia. ÉPOCA investigou os fatos e os mitos que animam a discussão do assunto.



ELA ACREDITA
Maria de Fátima e o suco de berinjela que toma todos os dias:
“Melhorei a alimentação, mas o que baixou meu colesterol foi ele”


Fitoteráp
icos são remédios iguais aos outros?
Não. Ervas e chás são usados há milhares de anos. À medida que a química foi se desenvolvendo, os pesquisadores começaram a isolar das plantas os princípios ativos responsáveis pela ação medicinal. Essas substâncias foram sintetizadas em laboratório. Ou seja: foram criadas a partir da imitação da estrutura química das plantas. Deram origem a drogas importantíssimas, alopáticas, como a morfina e a aspirina. Diferentemente das ervas, os fitoterápicos são classificados como remédios. São obtidos exclusivamente de vegetais e vendidos em forma de extrato, tintura, óleo, cápsulas etc. Para conseguir registrá-los como medicamentos, os fabricantes devem provar que conseguem manter a qualidade e a concentração do princípio ativo presente na planta. “Não é fácil manter a qualidade de um fitoterápico porque ele contém centenas de substâncias”, diz João Ernesto de Carvalho, coordenador da divisão de farmacologia e toxicologia do Centro de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas da Unicamp. Quem toma 100 miligramas de aspirina sabe que está tomando 100 miligramas de ácido acetilsalicílico. Com os fitoterápicos é diferente. “Dependendo da época do ano e do tipo de extrato, é difícil manter a quantidade e a mesma concentração do princípio ativo”, diz Carvalho.

Fitoterápicos passam pelos mesmos testes científicos das drogas alopáticas?
Em termos. Existem milhares de estudos feitos com espécies usadas em fitoterapia, entre as quais as oito distribuídas no SUS: alcachofra, aroeira, cáscara-sagrada, garra-do-diabo, guaco, isoflavonas da soja e unha-de-gato. A maioria dos estudos, porém, foi feita em animais ou com pequeno número de pacientes, por curtos períodos. Os poucos estudos feitos com centenas de pacientes não trazem conclusões inequívocas sobre a eficácia das substâncias. Se o fabricante de uma nova droga sintética tentasse aprová-la com base nesse tipo de evidência, não conseguiria. O desenvolvimento de uma nova droga sintética consome cinco etapas, cerca de dez anos de pesquisa e milhões de dólares. Na chamada fase III, a droga em investigação é comparada ao tratamento existente. Para ser aprovada, precisa comprovar que é tão boa ou melhor que o remédio já disponível. Nessa fase, a droga é testada em um grupo de até 1.000 voluntários. “Pesquisamos as evidências científicas relacionadas aos oito fitoterápicos oferecidos no SUS. Não encontramos estudos desse tipo”, diz Daniel Deheinzelin, professor da Faculdade de Medicina da USP.Se os benefícios das ervas medicinais não foram comprovados pela ciência ocidental, significa que eles não existem?Não. É possível que existam benefícios não comprovados, a julgar pelo uso tradicional e milenar de ervas no cuidado da saúde. É razoável supor que existam fatos verdadeiros sobre nosso corpo que não possam ser comprovados sequer pelo método adotado nos estudos clínicos mais confiáveis. Isso significa que devemos propagar todas as crendices que aparecem? Não. Uma das histórias mais populares no Brasil é a de que suco de berinjela reduz o colesterol. Depois que uma experiência de laboratório foi mostrada num programa de TV, há mais de dez anos, o “remédio” natural ganhou, para muita gente, status de verdade científica. A dona de casa Maria de Fátima Farias Bosco, de 51 anos, mora em Macaé, Rio de Janeiro, e usa vários ingredientes naturais para cuidar da saúde. Seu colesterol baixou de 258 para 191 depois que ela reduziu os doces e a carne vermelha e começou a tomar suco de berinjela. Quem levou a fama de santo remédio? A berinjela, é claro. “Descobri o suco no Dr. Google. Foi um ótimo remédio, mas minha médica não acreditou”, diz. Indivíduos têm o direito de acreditar no que bem entendem. A situação fica perigosa quando a crendice é chancelada pelas autoridades. Foi o que aconteceu na África do Sul, onde 18% da população adulta tem o vírus da aids. O ex-presidente Thabo Mbeki pregava o combate à doença com uma dieta à base de beterraba, batata, suco de limão e alho. A doença se espalhou.

A imagem acima é um guia interativo (flash) que pode ser acessado clicando sobre a mesma (ou aqui), e contém informações sobre as 13 mais conhecidas plantas medicinais dentre as 66 apontadas pelo Ministério da saúde.


A fitoterapia e as ervas medicinais são recursos para os pobres?

Em termos. A diretora da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, disse, recentemente, que a medicina tradicional baseada em ervas tem seu valor e reduz o sofrimento de milhões de pessoas nos países em desenvolvimento. “Essa é a realidade, mas não é o ideal”, afirmou. “Estimamos que 60% das crianças que vivem em alguns países africanos recebem ervas para tratar a febre provocada pela malária. Mas a malária pode matar em 24 horas e as drogas modernas melhoram enormemente as chances de sobrevivência.” Os remédios naturais desempenham importante papel social, mas a adoção deles pelos governos de países como o Brasil pode ser questionada. “Não cabe às autoridades responsáveis pela saúde adotar métodos de tratamento que não têm eficácia demonstrada. Elas não podem criar uma medicina para rico e outra para pobre, baseada em tratamentos baratinhos e sem ação”, afirma Drauzio. Ele diz ter visitado em Belém uma “farmácia viva”, nome dado aos locais de cultivo e distribuição de plantas medicinais. “Lá existe uma plantinha que chamam de insulina. Chega uma pessoa pobre e ignorante e mandam tomar a planta, em vez do remédio receitado pelo médico”, afirma. O Ministério da Saúde diz estar trabalhando num projeto de regulamentação das farmácias vivas para coibir práticas inadequadas. Segundo o ministério, os fitoterápicos e as ervas não substituem o modelo de assistência farmacêutica baseado nos medicamentos convencionais. Seriam apenas mais uma opção de tratamento entre as oferecidas pelo SUS.

Fitoterápicos, ademais, não são usados apenas por pobres. Representam a primeira escolha de milhões de pessoas em países desenvolvidos como a Alemanha e os Estados Unidos. Os adeptos enxergam duas grandes vantagens. Primeira: os remédios costumam ser mais baratos que os alopáticos. Segunda: os profissionais que receitam esse tipo de tratamento têm mais disposição para ouvir angústias. Se muitos alopatas nem sequer olham os doentes nos olhos, a atenção que os especialistas em fitoterapia oferecem faz toda a diferença.



ELE ALERTA

O farmacêutico Roberto Adati, fotografado em São Paulo.
Ele sofreu uma reação alérgica:
“Não é verdade que tudo o que é natural não faz mal”

O que é natural não faz mal?
Errado. A natureza tem venenos poderosos. É importante que o médico saiba quando o paciente está em tratamento alopático e, ao mesmo tempo, toma ervas ou fitoterápicos. O farmacêutico Roberto Adati, de 41 anos, acredita no valor dessas substâncias. Tem mestrado e doutorado no tema. Ainda assim foi surpreendido por uma manifestação inesperada. Há cinco anos, estava meio abatido e pediu ao médico uma alternativa natural. Começou a tomar cápsulas de erva-de-são-joão, usada para combater sinais de depressão leve. Depois de 20 dias, surgiram sintomas de alergia: pele vermelha e irritada e edemas. Em outra ocasião, usou unha-de-gato para aliviar dores musculares. Também sofreu alergia. “Vegetais têm princípios ativos e químicos que estimulam o sistema biológico, e podem levar a efeitos adversos como qualquer medicamento.”

Doenças graves podem ser curadas com fitoterápicos e plantas medicinais?
Não. Nenhum chá, erva, alimento ou fitoterápico é capaz de curar a aids, o diabetes, o câncer. O uso desses produtos pode aliviar sintomas. O problema é que também pode atrasar o diagnóstico de problemas graves. No caso do câncer, há outro complicador. Muitos pacientes abandonam os alopáticos ou usam produtos alternativos junto com o tratamento convencional. Em geral, a doença avança. “O potencial das plantas é grande, mas ainda é preciso avançar uma série de degraus na pesquisa científica para ter certeza de que são eficazes”, diz José Augusto Rinck Júnior, oncologista do Hospital do Câncer A.C. Camargo, em São Paulo.

Falta investimento na pesquisa de fitoterápicos?
Sim. O Brasil tem atualmente 119 laboratórios produzindo medicamentos fitoterápicos. Há 512 remédios feitos de vegetais aprovados pela Anvisa, derivados de 162 espécies. É pouco, diante da biodiversidade do país. Das 250 mil plantas catalogadas no mundo, 55 mil estão aqui. A Europa toda tem só 11 mil ervas registradas. “Não é só um patrimônio genético. É também um patrimônio cultural”, diz Roberto Boorhem, presidente da Associação Brasileira de Fitoterapia (Abfit). Segundo ele, as grandes multinacionais não se interessam pelos fitoterápicos porque eles não geram patente. Já os pequenos produtores de fitoterápicos não têm condições de investir no estudo de ervas desconhecidas. “Não temos fôlego financeiro para aplicar em produtos novos”, diz a empresária Poliana Emília Botelho Silva, da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina). Se testados com rigor científico e usados com critério, os fitoterápicos e as plantas medicinais podem contribuir para melhorar as condições de saúde da população. E também para o crescimento econômico do Brasil. Nesse ponto, não há controvérsia.

Fonte: revista Época

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quinta-feira, 2 de julho de 2009

O vírus do medo

O artigo a seguir foi publicado no jornal Pagina 12 da Argentina ontem, dia 01jul2009, e vai assinado pela médica Mónica Müller. É um interessante comentário sobre a influenza A (H1N1), mais conhecida por gripe suína, escrito no calor dos acontecimentos e que serve de alerta para as reações exageradas de algumas pessoas, algo que não ajuda a educar para lidar com tal realidade. É importante que conheçamos a enfermidade e tomemos as devidas precauções (ver também aqui) com relação a pandemia que está avançando e pode chegar a ser muito grave. Mesmo assim, nunca é demais analisar o assunto por outros ângulos (por exemplo, aqui), que é o que ela tenta fazer. Uma limitação que posso apontar é que a autora, ao discutir a origem desta variante viral, elenca apenas algumas teorias caricatas e omite outras evidências interessantes que poderiam nos ajudar a evitar a produção acelerada de mutantes potencialmente letais (como é o caso do atual vírus) em futuro próximo: a raiz dessa pandemia pode estar nas bases da própria sociedade de consumo em massa em que vivemos... Voltaremos a este tema (sem necessariamente aderir acriticamente a qualquer "teoria conspiratória", bem entendido).

***

El virus del miedo
Por Mónica Müller * - Página 12 | Miércoles, 1 de Julio de 2009

El virus A H1N1 nos ha trasladado desde el siglo XXI, con su cándida confianza en una ciencia todopoderosa, a la Edad Media, cuando la humanidad se sabía inerme frente al misterio de las enfermedades.

Las epidemias tienen efectos tan contagiosos y dramáticos sobre la mente como sobre el cuerpo. El temor arcaico que producen hace reaccionar a las personas y a las sociedades como chicos asustados. El pensamiento mágico reemplaza a la razón y todos confiamos en el milagro que llegará por vía de los mayores, de los médicos, de los dioses o de las autoridades, que simbolizan lo mismo. Cuando la enfermedad se disemina y la muerte golpea, aparece primero la incredulidad y enseguida el reclamo iracundo a los que creíamos nuestros protectores omnipotentes.

Frente a la calamidad, simplificar y generalizar siempre es tranquilizante: concentra lo malo en un solo objeto para que todo lo restante pase a formar parte del universo de lo bueno. Por eso, las sociedades infantilizadas por el miedo tienen la urgencia de señalar a un culpable. Y el culpable siempre es el que piensa distinto, el diferente, el extranjero o el adversario.

Cuando en agosto de 1918 un nuevo virus de gripe comenzó a diseminarse por los Estados Unidos matando en pocos días a un enorme número de jóvenes sanos, la sociedad norteamericana señaló enseguida a los culpables. Muchas personas dijeron haber visto una nube de humo negro y viscoso cargado de microbios saliendo por la chimenea de un barco de bandera alemana amarrado en el puerto de Boston. Otros vieron emerger de la torreta de un submarino alemán varios hombres con tubos de ensayo en la mano, que amparados en la oscuridad esparcieron el germen en lugares públicos de la ciudad. Pero los periodistas mejor informados hacían recaer la sospecha sobre la firma alemana Bayer. Afirmaban –y la gente lo creía– que el laboratorio había contaminado con el germen las tabletas de aspirina para eliminar a toda la población de los Estados Unidos. Recién en 1997 se pudo identificar al verdadero responsable: un virus A (H1N1), de estructura molecular, composición y comportamiento hasta ahora idéntico al de la pandemia actual.

En 1918 la manipulación genética era un tópico que no aparecía ni en la ficción científica de Julio Verne. Aquel virus fue resultado de la recombinación azarosa de uno aviar, uno porcino y uno humano, accidente biológico que se repite cíclicamente a causa del método tradicional de cría de aves y chanchos que se aplica en muchos lugares del mundo. No hay indicios de que el origen del virus actual sea diferente.

Hipótesis conspirativas de cabotaje que abarrotaron las casillas de entrada del correo electrónico desde el principio de esta epidemia aseguraban primero que el tal virus no existía y que el divulgador de la alarmante noticia era Donald Rumsfeld, accionista principal del laboratorio que elabora el fármaco oseltamivir (Tamiflu), de relativa efectividad si se lo toma al inicio de la infección. Durante las primeras semanas, respetados especialistas argentinos minimizaron la gravedad potencial de la epidemia señalando que el virus no era más mortal que el de la gripe común. Ese dato todavía es incierto pero, en todo caso, una enfermedad capaz de contagiar a un tercio de la humanidad puede llevar a la tumba a varios millones de personas en pocas semanas aunque su mortalidad sea baja. En paralelo con la curva ascendente de casos y muertes confirmados en México, la versión conspirativa cambió por “la creación de un nuevo virus en laboratorio, como fue la del VIH, con el objetivo de devastar a la población mundial”. Un correo reciente da detalles más precisos sobre los diseñadores del virus y sus designios: “Un grupo que opera en los EE.UU. bajo la dirección de los banqueros internacionales que controlan la Reserva Federal, así como la OMS, la ONU y la OTAN” con el objetivo de “exterminar a la población de los Estados Unidos mediante la vacuna contra el mismo virus”. En términos económicos parece una estrategia indigna de personajes tan inteligentes e inclinados al mal: no hace falta ser banquero para saber que si no hay personas se acaban los negocios.

Por cierto que la industria farmacéutica es capaz de poner en riesgo a toda la humanidad en su carrera frenética por la competencia y los beneficios económicos y que los gobiernos de Estados Unidos han recurrido más de una vez a armas biológicas para dirimir cuestiones políticas, pero hasta ahora los virus han demostrado ser más elusivos, inteligentes y malignos que la Big Pharma, los alemanes en 1918 y hasta que los funcionarios del gobierno de Bush.

Pese a la dinámica cíclica que desde hace por lo menos cinco años hacía previsible la pandemia actual, los medios nacionales despliegan hipótesis persecutorias tan disparatadas que si no fuera por el contexto en que se publican deberían merecer la atención de especialistas en psicosis paranoides. Hemos oído decir que el gobierno nacional debería haber hecho algo más para evitar la rápida diseminación del virus y, al mismo tiempo, que exagera la gravedad de la epidemia con fines políticos. Hemos leído que por esos mismos intereses se hace todo lo contrario: que se difunden cifras de casos y de muertes menores a las reales y que la verdadera magnitud de la situación se oculta por alguna razón de conveniencia política. Sin embargo, un mínimo esfuerzo por informarse con objetividad permite saber que las autoridades sanitarias argentinas siguieron desde el principio las directivas de la Organización Mundial de la Salud en cuanto a control, detección de casos y mitigación de la epidemia. La única medida tomada en contra de las indicaciones de la OMS fue la cancelación de los vuelos a México en el intento de retrasar el inicio de la epidemia en el país, lo cual no fue una omisión sino un exceso de cuidado. Los registros estadísticos nacionales surgen de las normas internacionales que contabilizan como positivos sólo los casos confirmados por laboratorio. Por eso no sólo acá sino en todo el mundo las cifras oficiales son inferiores o están retrasadas con respecto a las verdaderas.

Otra regla epidemiológica internacional indica que los hisopados para detectar el virus sólo se hacen de rutina a la primera o dos primeras centenas de enfermos. Después, se reservan para aquellos enfermos que presentan una presunta complicación por el virus. También responde a un consejo de la OMS la venta controlada de antivirales por parte del Estado. Todas estas disposiciones responden a razones indiscutibles y claras de orden médico y en la Argentina se las ha respetado hasta hoy rigurosamente. Sin embargo, con absoluta indiferencia por la verdad, los medios han presentado cada una de esas medidas como maniobras eleccionarias, como hechos delictivos o como torpezas en el mejor de los casos. No es extraño que los políticos y los periodistas, que sobre microbiología lo desconocen todo, aventuren cualquier origen y cualquier desenlace para esta epidemia y traten de capitalizarla para confirmar sus intereses o sus ideas. Tampoco es raro que la gente asustada espere de las autoridades el milagro de aislar al país de la pandemia, de detener el aumento de casos o disminuir la mortalidad del virus. Pero los médicos, una vez aprobada la materia Microbiología, deberíamos conocer la lógica viral, que se caracteriza por eludir casi toda estrategia terapéutica conocida. Y en los momentos en que la sociedad nos necesita con urgencia tenemos la responsabilidad de desactivar nuestros propios dogmas y nuestra propia imaginación para poder razonar con objetividad y calma.

La deuda de las autoridades en materia de salud, alimentación, educación y vivienda, que afecta a muchos millones de argentinos, son responsabilidades históricas bastante graves sin necesidad de sumarles cargos falsos creados por el oportunismo o por el miedo.

Frente a esta amenaza que recién está empezando a mostrar su capacidad destructiva, es más útil volver la mirada al microscopio que buscar un culpable de fantasía. Los médicos tenemos derecho a tener miedo, pero también tenemos la obligación de tratar de entender cuál es el verdadero enemigo que tenemos enfrente.

* Médica clínica.



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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Quarta-feira, 10 de 9 de 8... e o mundo acabou?


O título acima soa como uma contagem regressiva, mas não é nada disso.

Arautos do apocalipse anunciaram vários cenários de terror advindos dos experimentos com o novo Grande Colisor de Hádrons (LHC) do CERN na fronteira entre a França e a Suíça - por exemplo, que eles criariam um micro buraco negro que tragaria o planeta inteiro... Aliás, uma animação ridícula foi divulgada na mídia mostrando o que aconteceria...


... bem, se vocês está lendo esta mensagem, note que já passou de meio dia e ainda estamos por aqui!

Respire fundo e relaxe!

Na madrugada desta calma quarta-feira foram iniciados os testes do LHC: prótons foram acelerados em etapas graduais até velocidades muito próximas à da luz (em altíssimo vácuo e baixíssima temperatura) e, então, colididos dentro de diferentes detectores em busca dos fragmentos produzidos. Entre outras coisas, pretende-se saber se existe mesmo o tal Bóson de Higgs e compreender melhor a natureza da massa da matéria.

A 99,9999% da velocidade da luz não se consegue, na prática, acelerar mais uma partícula, e o acréscimo de energia só entra como aumento de massa: estima-se que os prótons chegarão, no final, até 7000 vezes sua massa original... ou seja, uma assustadora e poderosa..."POEIRINHA "! ... E isso somente com as energias mais altas do LHC, operando no seu máximo: o experimento de hoje chegou a 0.45 TeV e apenas no dia 21/9 chegaremos a 5.0 TeV. Será que dia 21 o mundo acabará?

De fato este experimento representa tanto risco para a humanidade quanto a terra continuar existindo pelos próximos minutos. Estamos sendo constantemente bombardeados por raios cósmicos, muitos deles com energias superiores ao 7TeV que se pode atingir com o LHC operando no máximo.

Colisões como as pouquíssimas que se produzem no LHC de forma controlada ocorrem incessantemente a nossa volta... Se colisões dessa ordem produzissem "buracos negros" significativos tão facilmente, então a terra nunca teria se formado, aliás, nem sequer existiriam estrelas (seria duro explicar, então, de onde viriam os raios cósmicos, pois esses tem origem em estrelas que explodem...). A propósito, os estudos de segurança da equipe do CERN consideram impossível que surjam buracos negros no contexto dos experimentos do LHC, embora algumas teorias mais especulativas proponham que sim: mesmo que estes surgissem, seriam minúsculos e voláteis, desfazendo-se numa alegre nuvenzinha de radiação de Hawkins...

Divulgação científica é ótimo, mas divagação histérica e sensacionalista é lamentável...



SAIBA MAIS sobre os experimentos do LHC e as "questões de segurança":

(1) Dois filminhos muito bons (sem legendas, lamentamos):
vídeo 1 - vídeo 2
(2) Descrição do LHC em português, mas a versão em inglês, por ora, é mais confiável;
(3) Página Oficial do CERN / LHC;
(4) Sobre a segurança do LHC:
Wikipedia - Popular Mechanics - CERN
(5) Passeie pelo LHC...
(6) "Veja" como se faz péssima divulgação científica...
(7) ... e ria muito com o comercial anti-LHC (legendado) e a animação do fim do mundo, divulgado impunemente e se o menor esboço de profissionalismo pelas TVs mundo a fora...
(8) Se estiver de muito bom humor (e dominar bem o inglês) assista esse micro-conto de FC
, e preste atenção neste estupendo video-clip!

Fonte das Imagens:
http://ramblingmom.files.wordpress.com/2008/04/uf011406.gif
http://www.userfriendly.org/
http://wttf.org/strips/2008-02-01.jpg



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