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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Experimentação com animais: o que está errado

No lamentável episódio da destruição de um importante laboratório científico-tecnológico brasileiro, vemos o resultado de vivermos em uma sociedade que se diz livre, mas que na verdade está mesmo está "livre" dos conhecimentos essenciais referentes a sua própria auto-subsistência. Somos um paradoxo!

Uma sociedade cuja mediação dos conhecimentos em grande escala está concentradíssma nas mãos da grande mídia, norteada basicamente por interesses econômicos imediatos e dedicada a enfocar somente aquilo que comove, abala, ou vende... Enfim, não é de estranhar que existam cada vez mais  pessoas que, abandonadas em meio à neblina espessa da desinformação generalizada, acabam alimentando toda sorte de postura obscurantista. Ironicamente o mesmo tipo de obscurantismo que costumam criticar ou temer quando se manifesta noutras latitudes...

O problema é complexo e multicausal, não há dúvidas, mas se deve também, em boa parte, a um fracasso da comunidade científica, que não tem feito sua parte, qual seja: um trabalho sistemático de divulgação científica que esclareça à população o que se está fazendo, por que se está fazendo, e que explique por que é necessário - pelo menos por enquanto - utilizar-se animais de experimentação nas ciências biomédicas, em diversos estágios do desenvolvimento científico e tecnológico.  Ou por que seria uma imensa irresponsabilidade abdicar, neste momento, deste instrumento epistemológico.

Na coluna Observatório da edição de fevereiro da revista Scientific American Brasil, tentei sintetizar os principais aspectos - geralmente desconhecidos e muitas vezes distorcidos - desse complexo e incendiário tema. Leia a seguir.

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sexta-feira, 9 de março de 2012

Por que não sou mais um cético ? (Stephen Bond)

Ocasionalmente, eu tento provocar o saudável debate acerca das premissas da chamada "comunidade cética" - supondo que seja apenas uma e, também, homogênea (o que não creio) - como na questão de onde estão os neoateus progressistas. Ou quando questiono (a pobreza d)os métodos analíticos geralmente empregados, como no debate sobre a argumentação teísta de Plantinga. Esse é um tema que realmente me assombra, a constatação do reacionarismo político entranhado no discurso e nas práticas de tantos ditos "céticos". No extremo, espanta-me quando um Richard Dawkins descamba para a pregação de puro e simples ódio, como faz muitas vezes. Quero entender por quê isso, e destilar possíveis regras, pois não posso crer que todos os seus admiradores, por exemplo, pensem desta forma destrutiva (para ficar no exemplo da sua pregação anti-islâmica). Pois nas últimas semanas o blogue-irmão Bule Voador está publicando, em partes, uma excelente tradução de uma magnífica reflexão do irlandês Stephen Bond, que mantém um excelente quase-blogue chamado Stephensplatz. O artigo intitula-se "Por que não sou mais um cético". O original desse texto, na íntegra, está aqui, mas fomos autorizados a reproduzir os trechos já disponíveis (4 das 5 partes) a seguir, na tradução primorosa de Alê GM, colaborador do Bule. É um texto sensacional. O autor diz muitas verdades e disseca outras com clareza extraordinária, retirando o véu de intocabilidade que também é um mecanismo de (auto)defesa que todo militante do pensamento crítico deveria estar preparado & disposto a levantar, nolens volens.

Leiam e opinem (atenção: postagem longa).
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Terremotos e alinhamentos planetários

Um terremoto pode ter várias causas, todas relacionadas a uma enorme liberação de energia: movimentos nas falhas geológicas, atividade vulcânica, grandes explosões, deslizamentos, etc. Uma rápida abordagem foi feita no "Fronteiras da Ciência" (S02E13, ver também os Cadernos de Estudos). Estima-se que mais de 1000 terremotos ocorram diariamente (500.000 no ano todos, 100.000 dos quais são fortes o suficiente para serem percebidos). Infelizmente não existem fenômenos precursores que permitam a previsão de terremotos, mesmo assim alguns cientistas italianos estão sendo julgados por homicídio culposo durante o terremoto que atingiu Aquila em 2009. Mas o que não faltam são teorias pseudocientíficas, procurando achar correlações (na falta de uma teoria ou uma relação causal) que permitiriam prever tais fenômenos. Um exemplo foi a mal sucedida previsão de um terremoto devastador em Roma no dia 11/5/2011.



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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Foi bom pra vocês?



Mas que, pelo visto, não fez...



Vamos, então, à vídeo-reportagem "Após o arrebatamento" (impagável!):


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terça-feira, 29 de março de 2011

A história do "conhecimento" humano...

Um presente de volta às aulas, crianças!

O maravilhoso podcast Skeptoid chega ao número 250 e celebra com uma história do conhecimento humano... musicalizada!



Traduções a caminho (esperemos que os voluntários também...)

PS: Para saber mais sobre essa jóia, leia aqui.
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terça-feira, 19 de outubro de 2010

O obscurantismo antivivisseccionista está de volta

Começou de novo,

E mais uma vez VEJA é o carro-chefe do obscurantismo medieval. Eles devem ter uma editoria da pesada mesmo! Será que os responsáveis usam cilícios?

Essencialmente a revista postou no seu sítio três entrevistas, duas com "oponentes" ao uso de animais de experimentação (5 páginas, leia aqui e aqui) e uma com um defensor (2 páginas, leia aqui), ainda que dos bons. Típica manobra sensacionalista alimentada com materiais assimétricos e complementada com uma "pesquisa de opinião" com uma pergunta apontada direto na jugular...

(aproveite para entrar e votar você também, senão, já viu...)

As entrevistas dos defensores do animais contém pérolas impagáveis: "A indústria farmacêutica já divulgou que os remédios normalmente funcionam em 50% da população. É uma média. Algumas drogas funcionam em 10% da população, outras 80%. Mas isso tem a ver com a diferença entre os seres humanos. Então, nesse momento, não temos milhares de remédios que funcionam em todas as pessoas e são seguros. Na verdade, você tem remédios que não funcionam para algumas pessoas e ao mesmo tempo não são seguros para outras. A grande maioria dos remédios que existe no mercado são cópias de drogas que já existem, por isso já sabemos os efeitos sem precisar testar em animais. Outras drogas que foram descobertas na natureza e já são usadas por muitos anos foram testadas em animais apenas como um adendo. Além disso, muitos remédios que temos hoje foram testados em animais, falharam nos testes, mas as empresas decidiram comercializar assim mesmo e o remédio foi um sucesso. Então, a noção de que os remédios funcionam por causa de testes com animais é uma falácia." Lindo, não? (se conseguiu acompanhar o raciocínio. O outro autor, advogado dos direitos animais, apesar de até ter alguns argumentos palatáveis e desafiantes, não escapou da regra, e complementou com esta: "Pode ser que eu salve vidas humanas, concordo. Mas e os pesquisadores, por que eles não são voluntários nessas pesquisas? Eles querem viver, eles querem ter casas bonitas, famílias, férias... Por isso, preferem pegar animais indefesos e escravizá-los."

A discussão sobre o especismo (como discutida por Peter Singer), que seria uma variante do racismo só que dirigido a outras espécies de animais, pode até ser interessante em termos filosóficos, mas é também terreno fértil para o tráfego descontrolado entre as modalidades de discurso - por exemplo, indo da lógica à moral, e da ontologia à ética - permitindo muita confusão, e especialmente a manipulação de mentes menos preparadas.

A misantropia fascistóide desses beneficiários de uma sociedade aberta e relativamente democrática, mas muito inculta e desinformada, é a característica mais preocupante. Uma vez fiz um slogan para tentar explicar-lhes meu ponto, está aí em cima (ou ao lado), ilustrado...

De fato, esse pessoal, geralmente bem empregado e bem alimentado, prefere salvar bichinhos a se importar com... gente!

Já escrevi em outras ocasiões sobre isso (pág. 4 do Jornal da Universidade, edição de março de 2008) além de alguns comentários espalhados neste blogue. Reproduzo abaixo o comentário (na íntegra) que enviei hoje ao sítio da revista na esperança (pouca) de vê-lo publicado * :

Não sei se alguém chegará a ler este comentário em meio profusão de reações emocionais que esta matéria conseguiu promover: dando 5 páginas aos “oponentes” do uso de animais e apenas 2 aos “defensores” a revista VEJA faz mais um serviço a favor do obscurantismo anti-ciência, ajudando a enevoar um tema que é, na verdade, bem mais simples. A suposta “pesquisa de opinião” formulada com a rasteira pergunta “Você é contra ou a favor do uso de animais em pesquisas científicas?” só poderia estimular, como parece estar fazendo, a manifestação rápida e impensada daqueles menos informados, reforçados como se sentem pelo enfoque assimétrico da revista, de cunho condutor.

Mas vamos ao tema: Praticamente todos os procedimentos médicos (cirurgias, transfusões, etc) bem como a totalidade dos medicamentos que, hoje, salvam vidas diariamente, NÃO EXISTIRIAM se não se utilizassem animais de experimentação. A matéria da revista joga peso no aspecto emocional do assunto – o que é uma manipulação - e nos deixa reféns de argumentos falaciosos ou mesmo mentirosos.

Quantos defensores da proibição de uso de animais em experimentação recusariam receber uma vacina, uma transfusão sanguínea ou um remédio para dor, ou ainda impediriam que um(a) filho(a) seu recebesse esse tratamento, apenas por que a prática "foi desenvolvida com uso de animais"? Alternativas, quando existem, SÃO usadas; e quando não existem, a única forma de se aprender sobre o desconhecido é investigando o mundo real, ou seja, em seres vivos reais. Hoje temos ALGUMAS alternativas eficientes dentro de certos limites, e, ao contrário do que sugerem dois dos três entrevistados, as alternativas SÃO utilizadas, sim, prioritariamente, sempre que disponíveis. É o que recomendam os Comitês de Ética.

Quem diz que “a alternativa seria estudar usando-se programas de computador” não sabe como funcionam estes equipamentos: computadores não sabem mais do que aquilo que são programados para saber! O único jeito de descobrir uma nova lei da natureza, um mecanismo fisiológico ou um tratamento efetivo de determinada doença é estudando o MUNDO REAL, ou seja, os seres vivos nos quais eles acontecem de verdade. Abdicar do uso de animais hoje significaria condenar todos aqueles que têm doenças ainda não tratáveis / curáveis a sofrer sem saída. Condenaria também os animais, que se beneficiam desse conhecimento através da medicina veterinária. Seria, enfim, irresponsável e desumano.

Experimentos em humanos também são feitos, mas apenas nas etapas finais dos estudos, quando não há mais perigo evidente: os que crêem que se pode ou deve experimentar diretamente em humanos, a partir de qualquer ponto do estudo, sem respeito pelos seus direitos fundamentais (ver Declaração dos Direitos Humanos), deveriam estudar um pouco mais de história, por exemplo, conhecendo as atrocidades praticadas pelos autodenominados "cientistas" durante o nazismo. Hoje, felizmente, isto está regulamentado pelo instituto do Consentimento Informado.

Com raras excessões, quase todo mundo gosta de animais e é evidente que ninguém tem prazer em utilizá-los em experimentos. Felizmente, a imensa maioria destes estudos não envolve desconforto, dor ou sofrimento dos animais utilizados, que, aliás, são roedores em sua imensa maioria. Mas é preciso dizer que esse uso, quando acontece, é regulado por rígidos critérios bioéticos, e monitorado por Comitês, caso contrário (a) simplesmente não seria permitido e, ainda por cima, (b) seus resultados nem sequer chegariam a ser publicados: esta é a chamada política de Bem-Estar Animal, praticada há décadas no mundo todo, inclusive no Brasil.

Como amante dos animais, mas sobretudo da humanidade (que é nossa espécie), e sem deixar de ser minimamente realista quanto ao que se pode e o que não se pode fazer quando o assunto é conhecer o que ainda é desconhecido - fazer ciência – única forma hoje de se descobrir tratamentos ou curas, eu me pergunto: por que esse mesmo entusiasmo militante não é investido em acabar com a prática dos animais de estimação, ou em fechar abatedouros e romper as cercas dos potreiros e criatórios de animais que servem basicamente de ALIMENTO para nós, uma vez que É, sim, possível sobreviver sendo vegetariano?

Sem medicina, porém, não podemos sobreviver.
(é bem verdade que esta medicina não é acessível a tod@s, mas esse é outro problema – o problema da distribuição de riqueza e direitos – que não vai ser resolvido proibindo-se a pesquisa com animais).

Enfim, quantos aí estão dispostos a voltar para a idade de pedra em função de meia dúzia de slogans mal-alinhavados, e sem entender como funciona a ciência no mundo real?

( * ) Em tempo: foi publicado, e na íntegra!

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