quinta-feira, 30 de junho de 2011
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Blogosfera, nos domínios do ruído infindo
Tudo porque um novo blogue chamado Central Ceticismo, que se propunha a ser o "ponto de encontro de céticos, ateus, agnósticos e afins" (?) e que vem, há cerca de um mês, convidando muitos de nós a integrar sua lista de blogues e çáitchis, resolveu inovar. Na verdade, não passava de uma reunião de feeds sem nenhum critério.
Até agora.
Agora eles resolveram fazer a primeira coisa original por lá: decidiram remover nada menos que o Bule Voador de sua lista sob a incrível alegação de que "ele vem se tornando um blog GLS"! Parece brincadeira, mas não é. E arrematam com determinação: "E nós da Central Ceticismo não apoiamos a homossexualidade".
Se olharem por lá, ainda acharão a observação (ver abaixo). Não parece que estejam muito preocupados com a debandada promovida pelo boicote conclamado pelos parceiros do Bule.

A propósito, nós também já solicitamos desligamento da lista deles, por razões elementares demais para demandarem maiores explicações. E por que o tom da "regra" declarada denuncia, ou ignorância de alguém muito jovem e despreparado, ou fachada para um monitoramento por parte de alguma seita religiosa dessas que têm a "cura" para a homossexualidade (entre outras "missões"). Enfim, não sabemos quem (é)são o(s) promotore(s) desse blogue-feed, e não se encontra informação de nada em parte alguma. Mas já sabemos que são homofóbicos.
Assim, talvez seja melhor garantir nossa exclusão postando fotos como as que encabeçam esta postagem...
Como vários blogues céticos já estão deitando tinta de indignação com o ocorrido, que deve ser o assunto desta semana, aproveito para explorar outro ângulo da questão. Acho que somos, em parte culpados por termos nos deixado enganar. Nossa indignação é fruto de uma certa ingenuidade em termos acatado esse blogue-feed como um igual sem maiores informações (bem, o Bule ainda estava avaliando). Como disse, não se encontra informação em parte alguma, não aparece nada no "about". Muito estranho, não?
Talvez não tão estranho. Meu palpite é que esse blogue-feed, sem sal, sem estrutura, e até o momento, sem muito critério, seja obra de algum(a) jovem adolescente em plena erupção hormonal, sublimando suas emoções, possivelmente imaginando como isso irritaria seus pais... Ei, nada contra jovens blogueiros que fazem produções sérias e maravilhosas! Mas a internet tem essa faceta do anonimato, capaz de inspirar desde frases de banheiro até os lamentáveis fêiques usados em massa nas múltiplas comunidades "sociais" que proliferam como fungos, consumindo cada vez mais tempo precioso das pessoas (eu prefiro pensá-las como "pseudo-sociais", pois não têm qualquer contacto físico). Qualquer um pode criar qualquer coisa e posar do que bem entender na grande rede hoje. A propósito, não sei se aquele negócio de Second Lifeacabou dando certo (pelo menos no Brasil), mas se não deu é por que a redona, com essas características atuais, já permite qualquer um ter sua "identidade secreta" e brincar de Bruce Wayne. A atual internet já é uma "segunda vida" para muita gente. No mau sentido, digo. Haja pano para a manga dos psicanalistas!
É bem verdade que essas ferramentas incríveis, em que pese o ônus do anonimato, pelo menos vieram democratizar a comunicação, em todos os níveis, como nunca antes se viu (democratizar pelo menos para aquele minúsculo percentual da humanidade que consegue sentar na frente de um computador com quantidade suficiente de proteínas para poder pensar, não custa enfatizar!). Assim, temporariamente teríamos de tolerar todo espectro da estupidez humana desfilando em frente de nossos olhos (incluído o infantilóide critério homofóbico acima), pois essa seria uma fase de transição. Tomara que no fim do túnel haja luz!
Desde antes da WWW, quando somente trocávamos e-malas - deu para notar que sou da velha guarda, certo? - já havia essa preocupção, e se falava em regras de netiqueta, algo que já não vejo mais sendo muito comentado. Nas redes ditas "sociais", além da neoortografia minimalista (ou seria neotaquigrafia fonética?), abandonou-se a esperança de qualquer "etiqueta" e reina o caos das opiniões instantâneas jogadas sem pensar, da expressão pura e simples, sem qualquer elaboração, do aqui-e-agora, enfim, um naodadaísmo de facto... Reina, sobretudo, a mal-criação (diferente da ironia ou do deboche, esta é unidimensional e simplesmente grosseira). Não é a toa que "gangues" rivais se insultam mutuamente e depois se encontram fisicamente para acertar as contas, agora com chumbo, não bytes. Pois bem, neste ambiente, onde se encoraja a ultraespontaneidade e a superficialidade - quiçá o apogeu e a glória da sociedade de consumo! - é de se esperar que apareça todo tipo de farsa. O blogue-feed Central Ceticismo parece ser um bom exemplo disso.
O que falta é uma nova cultura de convívio cibernético. Não faço o gênero caga-regras, portanto não quero propor nada muito radical, nenhum tipo de policiamento ou supressão. É assim, aliás, que sempre agimos neste blogue, sem qualquer moderação nos comentários - são totalmente livres - apesar de nossa ocasional clientela troll.
Minha sugestão é que ignoremos e talvez denunciemos qualquer iniciativa nova que seja anônima, porque não faz sentido céticos, científicos e racionalistas... anônimos! Não no Brasil, pelo menos. É mero bom senso exigir que um novo blogue ou çáitchi cético - e sejam bem vindos tod@s! - tenha, como critério de largada, rosto(s), nome(s), e-mala(s) e outras formas de confirmar a validade do projeto. Muito lixo seria assim evitado, sem grande estresse.
Nossos ocupados neurônios agradecem.
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
Ensino religioso no Brasil estimula o preconceito e a intolerância
Fonte: UnB Agência
Pesquisa da Universidade de Brasília conclui que o preconceito e a intolerância religiosa fazem parte da lição de casa de milhares de crianças e jovens do ensino fundamental brasileiro. Produzido com base na análise dos 25 livros de ensino religioso mais usados pelas escolas públicas do país, o estudo é apresentado no livro Laicidade: O Ensino Religioso no Brasil, que será lançado às 16h desta terça-feira, 22 de junho, no auditório do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) da UnB.
“O estímulo à homofobia e a imposição de uma espécie de ‘catecismo cristão’ em sala de aula são uma constante nas publicações”, afirma uma das autoras do trabalho, a antropóloga e professora do Departamento de Serviço Social, Débora Diniz.
A pesquisa analisou os títulos mais aceitos pelas escolas do governo federal, segundo informações do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. A imagem de Jesus Cristo aparece 80 vezes mais do que a de uma liderança indígena no campo religioso - limitada a uma referência anônima e sem biografia -, 12 vezes mais que o líder budista Dalai Lama e ainda conta com um espaço 20 vezes maior que Lutero, referência intelectual para o Protestantismo (Calvino nem mesmo é citado).
O estudo aponta que a discriminação também faz parte da tarefa. Principalmente contra homossexuais. “Desvio moral”, “doença física ou psicológica”, “conflitos profundos” e “o homossexualismo não se revela natural” são algumas das expressões usadas para se referir aos homens e mulheres que se relacionam com pessoas do mesmo sexo. Um exercício com a bandeira das cores do arco-íris acaba com a seguinte questão: “Se isso (o homossexualismo) se tornasse regra, como a humanidade iria se perpetuar?”.
A pesquisadora Débora Diniz alerta que o estímulo ao preconceito chega ao ponto de associar uma pessoa sem religião ao nazismo – ideologia alemã que tinha como preceitos o racismo e o anti-semitismo, na primeira metade do século XX. “É sugerida uma associação de que um ateu tenderia a ter comportamentos violentos e ameaçadores”, observa. “Os livros usam de generalizações para levar a desinformação e pregar o cristianismo”, completa a especialista, uma das três autoras da pesquisa.
LEI - Os números contrastam com a previsão da Lei de Diretrizes e Base da Educação de garantir a justiça religiosa e a liberdade de crença. De número 9475, e em vigor desde 1997, a lei regulamenta o ensino de religião nas escolas brasileiras. “Há uma clara confusão entre o ensino religioso e a educação cristã”, afirma Débora Diniz. A antropóloga reforça a imposição do catecismo. “Cristãos tiveram 609 citações nos livros, enquanto religiões afro-brasilieras, tratadas como ‘tradições’, aparecem em apenas 30 momentos”, comenta a especialista.
O estudo, realizado entre março e julho de 2009, ainda revela a tênue fronteira entre as editoras responsáveis pelas publicações e a pregação religiosa. A editora FTD, por exemplo, pertence aos irmãos Maristas, sociedade religiosa nascida em 1817, na França. O interesse comercial com o material escolar surge representado pelas editoras Ártica e Scipione, que formam a Abril de Educação, líder no mercado de livros didáticos no setor privado. “É esse contexto nebuloso de relações e interesses que envolve a pesquisa” diz Débora.
Ainda foram analisadas as editoras Saraiva, Moderna e Dimensão e as religiosas Vozes, Paulus Paulinas, Vida e Edições Loyola.
SEM REGULAMENTAÇÃO Para a psicóloga e uma das autoras do livro, Tatiana Lionço, os problemas do ensino religioso no Brasil vem da falta de regulação por parte do Estado. Ela explica que, antes de ir parar nas mochilas de crianças e jovens, todo material didático passa por uma avaliação de uma banca de profissionais do Programa Nacional do Livro Didático, vinculado ao Ministério da Educação. Todos, menos os de Religião. “Não há qualquer tipo de controle. O resultado é a má formação dos alunos”, comenta a professora. A especialista ainda questiona o modelo de ensino religioso nas escolas do país com base no princípio constitucional de que o Estado deveria ser laico (neutro em relação às religiões). “Se o Estado deveria ser laico, por que ensinar religião nas escolas?”, provoca. “Se a religião for tratada na sala de aula, tem de ser de forma responsável e diversificada”, acrescenta a psicóloga. As 112 páginas da publicação, lançada pelas editoras UnB e Letras Livres, ainda conta com a contribuição da assistente social Vanessa Carrião, do instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero. |

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segunda-feira, 17 de maio de 2010
Homofobia

Dadeus Grings, bispo da maior igreja cristã do mundo (a católica), voltou a manifestar sua visão medieval sobre o mundo. Depois de minimizar o holocausto judeu, a tentativa agora é relativizar a recente explosão de denúncias contra sacerdotes pedófilos. O objetivo aparente é tirar o foco da vítima real, a criança abusada, e tentar colocar a igreja católica em seu lugar. É absolutamente irrelevante se há mais ou menos pedófilos fora da igreja, todos devem responder criminalmente por esses crimes. A diferença é que a igreja católica, para salvar sua imagem, ativamente protegeu seus criminosos (permitindo a continuidade dos crimes), enquanto as verdadeiras vítimas não recebiam qualquer apoio (o que gerou até piada). Voltando ao tópico do post, Dadeus Grings, no melhor estilo sub-celebridade-falando-qualquer-coisa-para-chamar-a-atenção-da-mídia, nos presenteou com essas pérolas de ignorância:
"Menino brinca com menino, menina brinca com menina. Só depois, se não houve uma boa orientação, isso se fixa."O ponto relevante é que algumas pessoas ocupam posições importantes na cadeia de formação de opiniões. É sua responsabilidade evitar que preconceitos e concepções errôneas sejam propagados. Ao não tomar cuidado, o que Dadeus tem feito é fomentar a intolerância, o que nada contribui para o tipo de sociedade que queremos.
"Antigamente não se falava do homossexual. E era discriminado. Quando começaram, 'olha, eles têm direitos de se manifestar publicamente, daqui a pouco eles vão achar os direitos dos pedófilos, é o direito deles'. Não, isso é crime."
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