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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Os sapos te convidam (Desafio Plantinga IV)

Amanhã, terça, dia 30 de agosto de 2011, Alvin Plantinga apresentará seu famoso argumento teísta ao vivo em Porto Alegre. Quem quiser vir, será no auditório do Prédio 05 da PUCRS, às 14h, seguido de debate com três convidados, entre eles o admirável filósofo português Desidério Murcho (dêem uma espiada na sua bibliografia), frequentemente citado neste blogue.

Bem, já se passaram três meses desde que lançamos o "desafio Plantinga", com o seu famoso argumento de que naturalismo (filosoficamente definido) e evolução (cientificamente embasada) são mutuamente contraditórios, logo a abordagem dos neoateus não se sustentaria. O original em inglês do texto debatido está aqui, mas leia também este aqui. Tivemos muita discussão aqui (Desafio I, II e III) e em várias listas nas quais participamos, e o debate chegou a propagar-se a outros blogs, se bem que não fomos nós os primeiros a comentar esse assunto.

O argumento de Plantinga tem repercutido na comunidade filosófica há um bom tempo, mesmo desde formulações anteriores apresentadas por ele, e muitos autores tentaram respondê-lo, com variado grau de sucesso. Esse debate, aliás, já rendeu vários simpósios e livros, como por exemplo, Science and Religion: Are They Compatible? (transcrição do debate entre Plantinga e Dennett) e Naturalism defeated? editado por James Beilby.

Prometemos aqui uma resposta que contemplasse a "provocação" feita, porém, sempre que começávamos a redigi-la, ficava grande ou dispersiva demais, fugindo ao ponto. Mas promessa é dívida!

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domingo, 29 de maio de 2011

Maldito Plantinga! (segue o desafio)


 
Após o desafio de algumas semanas atrás, várias tentativas de resposta foram apresentadas, inclusive links para ótimas coletâneas delas. Mas ainda não apareceu nenhuma resposta definitiva e arrasadora. Mesmo assim, é bom ver que estão tentando. Algumas respostas estão circulando apenas em listas de discussão, portanto não poderemos comentá-las aqui (mas estão em tempo de postá-las!). Mas algumas tendências já se observam, que considero útil apontar. Nosso colaborador Carlos Alberto Miraglia, professor de Filosofia da UFPEL leu várias das respostas e contribuiu com o texto que se segue.


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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Foi bom pra vocês?



Mas que, pelo visto, não fez...



Vamos, então, à vídeo-reportagem "Após o arrebatamento" (impagável!):


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segunda-feira, 16 de maio de 2011

O dia em que eu absolvi John Scopes!

Criando o Clima: já na entrada do Teatro, quer dizer, do "Tribunal",
fo
mos recebidos com uma parede de faixas bastante agressivas


Nesta noite de domingo tive a oportunidade insólita de me transportar no tempo, junto com minha família, para Dayton, Tennessee, no mês de julho de 1925. Mais precisamente para o interior do julgamento do professor John Scopes onde, no papel de um dos integrantes do júri, tive o prazer de... absolvê-lo!

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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Evolução versus naturalismo: um desafio lógico aos ateus?

O "Crocopato", o argumento final ?

O crocopato é só uma brincadeira para criar o clima irreligioso adequado... Mas nem tudo são rosas para a comunidade cética no que tange à qualidade das argumentações utilizadas. Há algum tempo atrás postei comentários acerca das fraquezas e inadequações nos argumentos de alguns dos paladinos do neoateísmo (claro que há exceções), e cheguei a chamá-los de "ateus incultos" por simplesmente desconhecerem séculos de argumentações agnósticas, atéias, antiteístas ou basicamente apateístas pré-existentes em que o credo irracional era combatido antes com a lógica que com a retórica ou mesmo a empiria. Talvez a melhor forma de ressaltar isso seja um EXERCÍCIO COLETIVO de análise e discussão com ênfase na estrutura lógica dos argumentos: trago, então, um desafio que anda recentemente atormentando alguns círculos céticos (apesar de não ser novo), um artigo do filósofo analítico (e cristão) Alvin Plantinga, muito bem traduzido por Daniel Brisolara para o blogue cristão Apologia (existe também um blogue calvinista dedicado ao filósofo). Valeu, Luiz, pela dica!

Quem se habilita a dissecar e desarticular o aparente cheque-mate lógico que Plantinga aplica nos infiéis?

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Criacionistas arragaçam as mangas no Brasil!


Aí vêm problemas...

Deu no OESP que "Escolas adotam criacionismo em aulas de ciências" (veja aqui), e a FSP publicou neste fim de semana (06/12) nas coluna "Tendências | Debates", duas "opiniões" , uma de Charbel Niño El-Hani ("Educação e discurso científico") e outra, patética, de Christiano P. da Silva Neto ("A teoria da evolução e os contos de fadas"). Este último, após discorrer divertidamente sobre a estratégia de chocar ovos do Cuco, conclui: "Agora, crer que essa estratégia de sobrevivência, tanto do cuco adulto quanto do cuco recém-nascido, pode ser produto das casualidades de um contexto naturalista é uma indicação de pouco conhecimento de matemática, em particular da teoria das probabilidades, de um mundo que é mesmo o dos contos de fadas, em que sapos viram príncipes e a teoria da evolução ganha contornos de realidade." Ficamos sem saber qual a formação do ilustre cientista, mas ele diz ser presidente da ABPC ou "Associação Brasilera de PESQUISA (!) da Criação" e parece saber do que está falando...

A repercussão entre os leitores do supracitado duelo traz, entre outras, uma pérola de um mestre em ciências sociais que ilustra perfeitamente os malefícios do relativismo levado aos extremos da irresponsabilidade (e beirando a má-fé): "Sobre a questão 'O criacionismo pode ser ensinado nas escolas em aulas de ciências?' ('Tendências/Debates', 6/12), a resposta pode variar entre o sim e o não, porquanto em matéria de conhecimento, sobretudo científico, jamais há a última palavra. Para formação educacional, é salutar que haja esse debate em sala de aula, pois as escolas não devem formar autômatos, mas pensadores. A ciência nasce da observação e reflexão, ou seja, é produto do pensamento e da ação humana no mundo. Ela não é algo estanque, mas sujeito a vicissitudes. É isso que enriquece o conhecimento. É limitado, portanto, julgar o evolucionismo superior ao criacionismo, ou vice-versa. Não é pelo fato de ser científico que é verídico, tampouco é pelo fato de ser tradicional que não é ciência. Enfim, os estudantes precisam saber e, os educadores, ensinar que a verdadeira ciência resulta do debate plural, não de visões reducionistas."... sim, e com a desinformação generalizada, já sabemos onde isso vai dar!

Aliás, basta dar uma procurada na rede para ver que nossos amigos criacionistas, sejam dos 'clássicos', sejam daqueles travestidos de "Desenho Inteligente" * , não estão perdendo tempo! Já há alguns anos vêm pressionando pelo ensino público da "controvérsia" no Brasil, e até já houve incidentes que ajudaram alguns a posar de vítimas de censura ou mesmo de perseguição inquisitorial... É o vale tudo na guerra de imagem e credibilidade, é o MARQUETCHIN SUBSTITUINDO A EDUCAÇÃO! As notícias pululam e as páginas na rede proliferam memeticamente, como é o caso da própria ABPC, da "Revista Criacionista" ou da fascinante página do "Repórter de Cristo" (pelo menos não nos podem acusar de não "divulgá-las"... no caso como chistes internéticos).

Em nossa 1a. Semana Cética da UFRGS discutimos o impacto educacional dessa nova tendência em proliferação no país, responsabilidades foram atribuídas e estratégias de enfrentamento elencadas. Na linha do que Randy Olson comenta em "Um Bando de Dodôs", pergunto-me: estaremos perdendo o debate público em defesa da ciência também no Brasil?

Segue a notícia de ontem:

Escolas adotam criacionismo em aulas de ciências
Especialistas criticam medida
Simone Iwasso e Giovana Girardi escrevem para “O Estado de SP” (08/12)

Polêmicos nos Estados Unidos, onde são defendidos por movimentos religiosos como mais do que explicações baseadas na fé para a criação do mundo, o criacionismo e o design inteligente se espalham pelas escolas confessionais brasileiras - e não apenas no ensino religioso, mas nas aulas de ciências.

Escolas tradicionais religiosas como Mackenzie, Colégio Batista e a rede de escolas adventistas do País adotam a atitude de não separar religião e ciência nas aulas, levando aos alunos a explicação cristã sobre a criação do mundo junto com os conceitos da teoria evolucionista. Algumas usam material próprio.

Outros trabalham com livros didáticos da lista do Ministério da Educação e acrescentam material extra. "Temos dificuldade em ver fé dissociada de ciência, por isso na nossa entidade, que é confessional, tratamos do evolucionismo com os estudantes nas aulas de ciências, mas entendemos que é preciso também espaço para o contraditório, que é o criacionismo", defende Cleverson Pereira de Almeida, diretor de ensino e desenvolvimento do Mackenzie.

O criacionismo e a teoria da evolução de Charles Darwin começam a ser ensinados no colégio entre a 5ª e 8ª séries do fundamental. Na hora de explicar a diversidade de espécies, por exemplo, em vez de dizer que elas são resultados de milhares de anos do processo de seleção natural, se diz que a variedade representa a sabedoria e a riqueza de Deus.

No Colégio Batista, em Perdizes (SP), o entendimento é semelhante. "Ensinamos as duas correntes nas aulas e deixamos claro que os cientistas acreditam na evolução, mas para nós o correto é a explicação criacionista. O importante é que não deixamos o aluno alienado da realidade", afirma Selma Guedes, diretora de capelaria da instituição.

A polêmica está no fato de os colégios ensinarem o criacionismo e o design inteligente não como explicações religiosas, mas como correntes científicas que se contrapõem ao evolucionismo. Nos EUA, a polêmica parou na Justiça. Em 2005, tribunais da Pensilvânia decidiram que o design inteligente não era ciência, recolocando Darwin nas escolas.

No Brasil, onde o debate não é tão acirrado, esse tipo de ensino tem despertado dúvidas sobre a validade na preparação dos alunos. Os conteúdos de ciências exigidos em concursos e vestibulares são baseados em consensos de entidades científicas, que defendem a teoria da evolução.

Já nos cerca de 2 mil colégios católicos, segundo dados da Rede Católica de Educação, não há conflitos entre fé e teoria evolucionista. No material usado por cerca de cem colégios do País, as aulas de ciência trazem a teoria da evolução e explicam o papel de Darwin.

Especialistas criticam medida

Especialistas ouvidos pelo 'Estado' consideram um equívoco a presença do criacionismo na aula de ciências.

"É completamente inadequado ensinar como teoria científica, porque não é teoria científica", diz Ildeu de Castro Moreira
, diretor do departamento de Popularização da Ciência e da Tecnologia do Ministério da Ciência e da Tecnologia. Para ele, não há problema abordar o assunto, "assim como se fala em alquimia na história da ciência", mas "oferecê-lo como alternativa é uma inverdade."

Isaac Roitman, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), reforça. "É perfeitamente aceitável que o criacionismo seja apresentado como corrente que existe, mas está ligada à fé, enquanto a evolução é comprovada cientificamente", diz. Para Nélio Bizzo, da USP, não há sentindo em tentar provar a existência de Deus cientificamente.

Fonte: SBPC / JC e-mail 3657, de 08 de Dezembro de 2008



(*) Sobre o DI,
este é um bom verbete da Wikipédia em português que, porém, devido ao assédio dos cibercriacionistas e à insegurança dos demais, ostenta o alerta "Este artigo ou secção possui passagens que não respeitam o princípio da imparcialidade"... aliás, sobre DI, eis aqui uma opinião igual a minha.

PS: Quem quiser divertir-se com os conflitos entre Criacionistas e outras religiões, leia
"Detonam a Bíblia e exaltam o espiritismo" (aqui), divertidíssima.

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terça-feira, 28 de outubro de 2008

“Carreteiro” de Criacionismo servido no Planetário da UFRGS

Sendo “Evolução e Diversidade” o tema geral da V Semana Nacional de Ciência e Tecnologia realizada em todo o país de 20 a 26 de outubro último, era natural que escolhêssemos o criacionismo como tópico para a nossa atividade. Esse era o prato da vez.

E que banquete!


Quem de nós é o Dodô? –
A controvérsia Evolução X Criacionismo em pleno século XXI consistiu de uma série de palestras e filmes comentados sobre o conflito entre o Evolucionismo (científico) e o chamado Criacionismo (anti- ou pseudocientífico - já que existem as duas modalidades). Somos o Coletivo Ácido Cético / UFRGS e este evento fez parte do projeto Ciência no Planetário – Colóquios Eduardo D. Barcelos, promovido pelo Planetário José Baptista Pereira, pelas Pró-Reitorias de Extensão e de Pesquisa da UFRGS, e pela Sociedade Astronômica Riograndense (SARG).


Nos três dias do evento, a Sala Multimeios do Planetário (65 lugares), ficou pequena para acomodar o público que compareceu. No primeiro dia (21/10), pelo menos 144 pessoas apertaram-se para prestigiar as palestras dos professores Aldo Mellender de Araújo e Renato Zamora Flores. Enquanto o primeiro fez um completo apanhado histórico desta que é a mais importante corrente de pensamento unificador nas ciências biológicas, o segundo discorreu sobre os principais ataques pseudo e anticientíficos sofridos pela biologia evolucionista, em particular aqueles librados por oponentes religiosos, fundamentalistas ou não. Os “fatos” da Evolução, ou seja, as evidências experimentais a favor tanto do processo micro quanto macroevolutivo constituem um dos mais sólidos consensos entre os pesquisadores da área; claro que existem críticas puntuais aqui ou ali – outrossim, característica inerente ao processo científico na comunidade de especialistas –, mas nada disso se aproxima da “acusação” criacionista de que “não há provas de que exista essa tal de Evolução”. Os criacionistas geralmente tergiversam ou simplesmente ignoram tais evidências, substituindo-as por enunciação de ”verdades” reveladas e dogmas – a eloquência no lugar da evidência. Após as falas, um acalorado debate estendeu-se por mais de uma hora, e a maioria dos presentes permaneceu até o final, mesmo aqueles que estavam sentados no chão. Um público predominante de graduandos de ciências biológicas, física e áreas afins, além de secundaristas e professores, enriqueceu a discussão com sua inquietudes e curiosidades.

O sucesso de público repetiu-se nos dias seguintes, quando exibimos dois filmes. Em 22/10 exibimos o clássico de Stanley Kramer, O Julgamento do Macaco (Inherit the Wind), de 1960, cujos diálogos estonteantes e impecável roteiro recriam de forma magistral o julgamento do professor John Scopes, acusado de ensinar a teoria de Evolução em Dayton, Tennessee, em 1925. Mesmo após o filme com mais de duas horas de duração, o debate prosseguiu por mais uma hora envolvendo as 68 ou mais pessoas presentes. Já no útimo dia, 23/10, pelo menos 88 pessoas assistiram à estréia nacional do documentário dirigido por Randy Olson, Um Bando de Dodôs – O Circo da Evolução e do Criacionismo, cujas legendas em português foram preparadas pelo próprio Coletivo Ácido Cético (com apoio do diretor). No filme, a nova abordagem criacionista conhecida como “Projeto Inteligente” – que se pretende “científica” - é cuidadosamente desmascarada, provando ser, mais uma vez, vinho velho em garrafas novas (no caso, garrafas com uma aparência irresistível - mas furada - de ciência).

Olson inclusive enviou uma mensagem especial de saudação ao público presente, que foi lida antes da exibição: “Aqui nos EUA estamos sofrendo uma infestação de Dodôs” – disse, mencionando, então, duas “aves” de mesma penugem, as criacionistas Connie Morris (que aparece no filme) e Sarah Palin (que concorre à vice-presidência nos EUA), duas personagens que – diz ele – gostaria que “tomassem o mesmo rumo dos Dodôs”...

Na Foto: Renato, Jorge, Renata, Aldo, Adriano, Tadeu
e Douglas (ausentes na hora: Jeferson, Marco e Juliana)

O Coletivo Ácido Cético reúne basicamente professores e estudantes de Física e Biologia sob um triplo denominador comum: o compromisso com a divulgação do conhecimento científico de qualidade em todos os níveis, a promoção do pensamento racional e do espírito crítico adequadamente equipado, e o enfrentamento direto de todo tipo de embuste, manipulação e mentiras difundidos “em nome” da Ciência. Unidos pela percepção de que o pensamento crítico não é o forte nesses tempos “pós-modernos”, vários de nós, há muitos anos, vimos enfrentando algo quixotescamente as mais variadas manifestações de charlatanismo e obscurantismo a nossa volta. Inclusive no ambiente acadêmico, por incrível que pareça.

O Coletivo iniciou suas atividades em novembro de 2006, com duas exibições "comentadas" do pseudo-documentário Quem Somos Nós? para uma audiência mais de 150 estudantes universitários comovidos pelas falsas expectativas criadas pelo filme (um amontoado de mentiras e distorções sobre mecânica quântica e neurociências), no auditório do ILEA, UFRGS. Como Coletivo, sabemos que deveríamos fazer mais. Paradoxalmente, o que nos falta de tempo para atividades mais frequentes, nos sobra de disposição e bom humor para os necessários embates.

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