quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ensino religioso no Brasil estimula o preconceito e a intolerância

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Fonte: UnB Agência

Pesquisa da Universidade de Brasília conclui que o preconceito e a intolerância religiosa fazem parte da lição de casa de milhares de crianças e jovens do ensino fundamental brasileiro. Produzido com base na análise dos 25 livros de ensino religioso mais usados pelas escolas públicas do país, o estudo é apresentado no livro Laicidade: O Ensino Religioso no Brasil, que será lançado às 16h desta terça-feira, 22 de junho, no auditório do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) da UnB.



“O estímulo à homofobia e a imposição de uma espécie de ‘catecismo cristão’ em sala de aula são uma constante nas publicações”, afirma uma das autoras do trabalho, a antropóloga e professora do Departamento de Serviço Social, Débora Diniz.

A pesquisa analisou os títulos mais aceitos pelas escolas do governo federal, segundo informações do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. A imagem de Jesus Cristo aparece 80 vezes mais do que a de uma liderança indígena no campo religioso - limitada a uma referência anônima e sem biografia -, 12 vezes mais que o líder budista Dalai Lama e ainda conta com um espaço 20 vezes maior que Lutero, referência intelectual para o Protestantismo (Calvino nem mesmo é citado).

O estudo aponta que a discriminação também faz parte da tarefa. Principalmente contra homossexuais. “Desvio moral”, “doença física ou psicológica”, “conflitos profundos” e “o homossexualismo não se revela natural” são algumas das expressões usadas para se referir aos homens e mulheres que se relacionam com pessoas do mesmo sexo. Um exercício com a bandeira das cores do arco-íris acaba com a seguinte questão: “Se isso (o homossexualismo) se tornasse regra, como a humanidade iria se perpetuar?”.

A pesquisadora Débora Diniz alerta que o estímulo ao preconceito chega ao ponto de associar uma pessoa sem religião ao nazismo – ideologia alemã que tinha como preceitos o racismo e o anti-semitismo, na primeira metade do século XX. “É sugerida uma associação de que um ateu tenderia a ter comportamentos violentos e ameaçadores”, observa. “Os livros usam de generalizações para levar a desinformação e pregar o cristianismo”, completa a especialista, uma das três autoras da pesquisa.

LEI - Os números contrastam com a previsão da Lei de Diretrizes e Base da Educação de garantir a justiça religiosa e a liberdade de crença. De número 9475, e em vigor desde 1997, a lei regulamenta o ensino de religião nas escolas brasileiras. “Há uma clara confusão entre o ensino religioso e a educação cristã”, afirma Débora Diniz. A antropóloga reforça a imposição do catecismo. “Cristãos tiveram 609 citações nos livros, enquanto religiões afro-brasilieras, tratadas como ‘tradições’, aparecem em apenas 30 momentos”, comenta a especialista.

O estudo, realizado entre março e julho de 2009, ainda revela a tênue fronteira entre as editoras responsáveis pelas publicações e a pregação religiosa. A editora FTD, por exemplo, pertence aos irmãos Maristas, sociedade religiosa nascida em 1817, na França. O interesse comercial com o material escolar surge representado pelas editoras Ártica e Scipione, que formam a Abril de Educação, líder no mercado de livros didáticos no setor privado. “É esse contexto nebuloso de relações e interesses que envolve a pesquisa” diz Débora.



Ainda foram analisadas as editoras Saraiva, Moderna e Dimensão e as religiosas Vozes, Paulus Paulinas, Vida e Edições Loyola.

SEM REGULAMENTAÇÃO

Para a psicóloga e uma das autoras do livro, Tatiana Lionço, os problemas do ensino religioso no Brasil vem da falta de regulação por parte do Estado. Ela explica que, antes de ir parar nas mochilas de crianças e jovens, todo material didático passa por uma avaliação de uma banca de profissionais do Programa Nacional do Livro Didático, vinculado ao Ministério da Educação. Todos, menos os de Religião. “Não há qualquer tipo de controle. O resultado é a má formação dos alunos”, comenta a professora.

A especialista ainda questiona o modelo de ensino religioso nas escolas do país com base no princípio constitucional de que o Estado deveria ser laico (neutro em relação às religiões). “Se o Estado deveria ser laico, por que ensinar religião nas escolas?”, provoca. “Se a religião for tratada na sala de aula, tem de ser de forma responsável e diversificada”, acrescenta a psicóloga. As 112 páginas da publicação, lançada pelas editoras UnB e Letras Livres, ainda conta com a contribuição da assistente social Vanessa Carrião, do instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero.





28 comentários:

Chico disse...

É lamentável que ainda se permita que uma religião hegemônica tenha tamanha participação na formação de crianças, sobretudo num país que, pela diversidade cultural e tradição de relativa tolerância, tem vocação para ter um governo verdadeiramente laico. Entretanto, a péssima prática do ensino religioso revelada neste texto está em sintonia com a péssima qualidade geral do ensino fundamental público brasileiro.

Ainda bem que somos predominantemente católicos. Sei que não serve de grande consolo, mas seria muito pior se fôssemos um país de maioria evangélica ou espírita.

Israel Goncalves de Oliveira disse...

Duas coisas interessantes.

1. O Estado é laico, então não devia ter uma disciplina chamada Religião nas escolas públicas.

Falácia (da mais grossa), pois a religiosidade (apego a liturgias e rituais) e a espiritualidade (filosofias e conceitos meta físicos) fazem parte da cultura do nosso pais (e de muitos outros). Logo, deve ser ensinado como movimento cultural. Não estou falando de pregação em aula, mas de ensino da cultura religiosa e espiritual. Inclusive, o ateísmo e o neo ateismo devem ser tratado em religião.

2. O ensino deve ser diversificado!! Concordo!! Deve ser assim em TODAS as disciplinas. Todos falam isso para português, com suas coloquialidades ou regionalidaes, para a história e geografia, com todas as questões econômicas e políticas controversas e por aí vai... mas e em Biologia?????????

A-há!! Só não podemos ser diversificados em Biologia????

Por que os profs nunca falam dos problemas em justificar a teoria da evolução??? Que sacanagem epstêmica é essa???

Seria um clássico problema de "dois pesos, duas medidas"?

Hum?

Jeferson Arenzon disse...

Os autores deste blog se reservam o direito de não comentar as mensagens do Sr. Israel. Leiam a discussão ocorrida neste item
(e alguns outros) e tirem suas próprias conclusões.

Bremm disse...

Caro Jeferson,

O povo ideal para os governantes e outros parasitas sociais é o lacaio, que usa a religião como bengala, o futebol como válvula de escape e as migalhas que o poder público oferece (vale-isso, vale-aquilo) como se fossem uma coisa "vinda do céu".

Cada governo é o reflexo de seus eleitores, e o Brasil não é exceção à regra. Também infelizmente, os estabelecimentos ditos "religiosos" em sua maioria só tem uma função: arrecadar dinheiro sem pagar impostos, amparado pelas leis brasileiras. A IURD é uma prova-de-conceito da minha teoria, pois com a contribuição de seus "fiéis" (um eufemismo para um adjetivo que não usaria neste veículo) foi possível adquirir uma rede de emissoras de televisão.

Ao invés de ensinarem a pescar, escravizam uma nação inteira ao monopolizar o fornecimento do peixe.

O homossexual, ao contrário da crença popular, é benéfico à sociedade. Muitos recorrem a adoção e pouquíssimos possuem interesse em fertilização in vitro, contribuindo duplamente para o controle populacional e bem-estar social.

Diego disse...

Até tinha alguns comentários para o post do blog, mas aí li isso:

"pois a religiosidade (apego a liturgias e rituais) e a espiritualidade (filosofias e conceitos meta físicos) fazem parte da cultura do nosso pais"

*Cultura*, ok. Se essa é a motivação de ensinar religião então adiciona nessa disciplina os temas "chimarrão" e "futebol".

Vou parar por aqui, porque se analisar o resto do comentário do Israel vou desenvolver uma úlcera.

Adriana disse...

Quiéisso, Diego?! O Israel levantou um ponto perfeitamente válido. É importante ensinar a controvérsia, sim, inclusive na Física e na Matemática. Eu gostaria de poder ensinar pras minhas turmas que Pi é exatamente três, mas a máfia dos números não me deixa.

Pitágoras, renomado matemático, afirmava que todas as grandezas poderiam ser expressas por razões entre números inteiros. Então veio a conspiração dos matemáticos desonestos e convenceu o mundo inteiro da falácia dos números irracionais, apenas para usurpar o status dos pitagóricos.

Entre os matemáticos, nas nossas reuniões secretas, a existência dos números irracionais é fortemente contestada. A retomada da nobre vertente pitagórica é iminente, mas o mundo não sabe disso porque os irracionalistas silenciam cruelmente os pitagóricos, negando-lhes publicações nos veículos científicos ditos neutros.

Jeferson Arenzon disse...

Adriana,

Tenho pena de vocês que querem ensinar a controvérsia, usando um valor alternativo de Pi. Mas não são os únicos. Há os que dizem que o holocausto não ocorreu (ou que não foi como dizem), que a Terra é plana, oca, ou está no centro do Sistema Solar, que os elementos são Terra, Fogo, Ar e Água, que os planetas nos influenciam, que a Evolução não é um fato, etc, etc. O saco é o mesmo para todos...

Marco Idiart disse...

Puxa Adriana

Ainda bem que tiveste a coragem! Eu pela miha natureza tímida, por muitos anos tive que aguentar em silencio professores e colegas falando de números irracionais. Eu passava horas olhando réguas a procura deles e só o que via eram os tracinhos dos milímetros. Era uma
angustia terrível.

Números irracionais são contrários as leis da natureza, e como o próprio nome diz são não-racionais e ilógicos. Dentro de mim, sempre senti que eles não existiam.

Ainda bem que era só uma conspiraçãozinha.

Bremm disse...

Caro Jeferson,

Uma das maiores fontes perigo da humanidade é a "síndrome das histórias únicas". O avião foi inventados pelos irmãos Wright, morreram seis milhões de judeus no holocausto, OVNIs existem...

Veja como é fácil apoiar histórias sobre as quais existem outras versões que são ignoradas, ridicularizadas, menosprezadas, por não satisfazerem a vontade de um determinado grupo social.

Já basta termos lido sobre o átomo ser indivisível, a Terra ser o centro do universo e que o mundo que conhecemos foi criado em seis dias.

Israel Goncalves de Oliveira disse...

Diego,

Que bom que tu não continuou.

Vamos analisar o teu comentário.

Futebol e cultura religiosa:
Quanto tempo de história só na cultura brasileira. Soma os descendentes então?
Qual a importância atual para a sociedade?
O quanto norteia a vida das pessoas?
Tem graduação e especialização em ensino e cultura religiosa, em teologia, e outros.

Será mesmo que as motivações são as mesmas?

E outra coisa importante: como não é falado de chimarrão em aula??? Mas claro que é!! Eu, pelo menos, tive um excelente ensino de história do meu estado, e foi ensinado sobre as origens e a importância do chimarrão!

Futebol também é falado nas aulas como fenômeno cultural, sem dúvida alguma. E não só nas aulas de educação física, mas em história também!

hummm... ainda bem que tu não continuou, foi melhor pra ti.

Diego disse...

Blog bom esse, mas cheio de trolls.

Marcia Barbosa disse...

Adriana

Acho que é uma conspiracão dos empreiteiros. Já imaginaste quanto
material desnecessário estamos adquirindo para construir obras circulares?

Jeferson Arenzon disse...

Caro Bremm,

Alguns dos maiores perigos para a humanidade como a conhecemos atualmente são os anti-ciência e os negadores da história. Defender o criacionismo ou negar a existência e a magnitude do holocausto judeu na Segunda Guerra são, respectivamente, exemplos.

Marco Idiart disse...

Caro Bremm

O perigo é a ideologia única. A história é por natureza única, isto é natural e pouco perigoso. :-)

Sobre os irmãos Wright. eles realmente inventaram o avião. Pois o avião moderno descende do projeto deles. O Santos Dumont é o pioneiro no vôo de longa distância com um "mais pesado do que o ar". Existe portanto espaço para dar crédito aos dois. Vamos abandonar o nacionalismo nesta hora de perda. :-(

Também achei curioso colocares o holocausto e os OVNIS lado a lado na mesma frase.
O curioso é que o tipo de argumento de quem ACREDITA em OVNIS é o mesmo usado por os que NÃO ACREDITAM no holocausto.
Ou seja, que existe uma conspiração mundial infalível que a todos suborna, ou engana.

Entendi mal ou tu acreditas que o holocausto foi forjado?

Chico disse...

Há quem diga que seis milhões de judeus mortos no Holocausto é uma cifra exagerada. Alguns dizem que foram dois milhões. Não se pode confiar plenamente em números de guerra, pela dificuldade de contagem e pela parcialidade na elaboração e dos registros. Entretanto, não entendo como alguém pode usar números (ou qualquer outro fato ou relato) para diminuir o Holocausto. Dois milhões para mim não constituem uma chacina menos impressionante que seis. Até compreenderei se daqui uns vinte anos alguém recém vindo ao mundo disser que não crê que uma nação possa ter feito algo tão brutal, mas hoje temos sobrevivientos do evento e parece que ele ocorreu mesmo.

Bremm disse...

Caro Marco,

De forma alguma penso que o avião é invenção de Santos Dumont, até porque foi inspirado em um modelo feito por George Cailey, 100 anos antes (antes mesmo dos irmãos Wright).

Sobre os OVNIs, limito-me a pensar da mema forma que o Basílio pensa (e nem sou um astrônomo, apesar de gostar da ciência). Se em quase 80 anos de aviação brasileira, não houve nenhum fato digno de nota no espaço aéreo nacional, por que eu haveria de acreditar? Argumentum ad ignorantiam, uns irão pensar, mas não importa.

Já o holocausto eu não nego, porém minha contestação é mais simples: o número mágico 6.000.000 não condiz com a realidade, pois se fosse, provavelmente a comunidade judaica mundial (que já era muito pequena) estaria extinta. É possível chegar-se aos tais seis milhões contabilizando os demais civis não-judeus (católicos, luteranos etc.) que fazem parte das vítimas. Absurdos como os alemães possuírem tecnologia para incinerar cadáveres em 10 minutos (!) como tenho visto por aí, são o mesmo tipo de conversa fiada que escuto de ufólogos (argumentação sem embasamento científico). Estendo-me mais neste parágrafo, pois além do assunto ser bastante recente (a família de meu pai sofreu perseguição na época que Getúlio Vargas foi presidente, em duas ocasiões) há controvérsias demais em relação a procedimentos e números. Um moderno forno crematório atualmente leva pelo menos seis horas para consumir o corpo de um cadáver adulto de estatura média. E quanto mais magro for o indivíduo, mais longo é o processo de cremação (a gordura auxilia muito o processo de combustão). Se a maioria dos que foram para os fornos (uma ótima forma de não poder contar ossadas), como os nazis puderam queimar, digamos, 3.000.000 de pessoas em menos de 5 anos? Claro, com os fornos ultra-eficientes de 10min seria possível, mas com a tecnologia da época, de dez horas por cadáver, talvez? Deveriam haver centenas de fornos, que ninguém encontrou (existiram diversos, mas estes jamais conseguiriam dar conta de tanta gente). O assunto é extenso, e eu estaria desviando completamente do tópico. Se um dia o CAA resolver publicar uma postagem exclusiva sobre o holocausto, prometo que compartilho a minha teoria com vocês.

Morreram milhares de pessoas na guerra (parentes meus que viviam na Alemanha, inclusive, na zona rural e que foram vítimas dos aliados), só que estes eu espero que não tenham sido contabilizados como judeus mortos pelos nazis, pois não foi bem assim.

Bremm disse...

Aliás, CAC e não CAA, pois estava pensando no trocadilho com o vinagre. lol

Chico disse...

Me desculpe, Bremm, mas essa história de dizer que os fornos jamais poderiam fazer o serviço de incineração na taxa necessária é semelhante a dizer que a vida jamais poderia surgir ao acaso no nosso planeta. É uma informação inconseqüente provavelmente iniciada por alguém que não conhece o mecanismo dos fornos nem os operava. Tacar fogo em coisas é uma tecnologia muito antiga, e muito mais simples do que construir aviões (o que já era feito na época). E estou certo de que os alemães tinham muito mais pressa, muito menor controle de qualidade de cremação e muito menor preocupação com poluição e economia de energia do que os crematórios modernos.

Bremm disse...

Caro Chico,

Não é necessário desculpar-se. Basta ires ao Crematório Metropolitano São José (aqui mesmo em Porto Alegre), solicitar uma autorização e presenciar o processo na íntegra. Segundo eles (funcionários do crematório), o processo de pirólise dura entre 2 e 3 horas, e depois disso os restos são triturados. Convém lembrar que nos casos de cremação há o caixão, que sendo de madeira, acelera o processo. Não acredito que os nazis tenham usado caixões para auxiliar a queima e tampouco que todos os cadáveres eram de pessoas com obesidade mórbida.

O fato é que muita gente pensa que um forno crematório funciona exatamente da mesma forma que uma churrasqueira ou até mesmo um forno de olaria.

Como já havia dito anteriormente, não nego o holocausto, nem o holodomor (que foi até mais catastrófico considerando-se apenas os números, mas viva à sombra do holocausto graças a propaganda sionista). No caso ucraniano, fala-se de 2,5 a 10 milhões de pessoas que morreram literalmente "de fome", entre 1922 e 1933. Não é minha intenção tirar o foco do holocausto e colocá-lo no holodomor. Ela é tão somente para expor a ignorância da população perante a uma coisa simples, que é o poder da propaganda.

Como já havia dito anteriormente, se tivessem realmente exterminado seis milhões de judeus, não ia sobrar um para contar história. Em 1940, a população mundial era pouco mais de 1/3 da população estimada atual.

Diego disse...

"pois se fosse, provavelmente a comunidade judaica mundial (que já era muito pequena) estaria extinta."

As informações que estão ao meu alcance dizem que o número de judeus só na Europa era de 7,3 milhões. Não sei de onde vem esses números (nem os de morte no holocausto) é plausível que sejam simplesmente estimativas feitas na época.

Claro, esses números devem sofrer um pouco do problema 'quem é judeu'? Parece que é uma definição problemática.

Chico disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Chico disse...

Bremm, honestamente eu achei fraco o argumento questionando a eficiência dos fornos, mas vamos deixá-lo de lado por hora porque sua validade somente alteraria o número estimado de judeus mortos, e isso é pouco relevante, como eu disse anteriormente.

Houve dezenas de milhões de mortes na segunda guerra e o valor de cada vida inocente (um conceito bem amplo e flexível aqui) não depende de etnia. Contudo, a exaltação universal do sacrifício de judeus não necessita de propaganda sionista nem implica depreciação do sofrimento de outros povos. O Holocausto é tão lembrado - e deve servir de principal mau exemplo perpetuamente - porque explicita o traço mais hediondo da humanidade, que é a violação, guiada por etnia, da igualdade de direitos, a qual é imprescindível à civilização pacífica e produtiva.

Se tu (ou qualquer outra pessoa) um dia te flagrares pensando "o meu povo" ou "o povo deles", toma cuidado: podes estar esquecendo que o DNA humano é quase o mesmo para todos e dando um passinho para o avesso da civilização.

Como alguém me disse uma vez, "ao preencher um formulário, em raça eu ponho 'humana' e em sexo eu ponho 'sim, por favor'."

Bremm disse...

Caro Chico,

O argumento com relação a eficiência dos fornos é justamente "o ônus da prova". Eu sustento uma teoria baseada no funcionamento dos fornos atuais, e tento projetá-la para os que existiam em 1940. Dizer que um forno daquela época seria capaz de consumir um cadáver em 10min (ou mesmo em 2h, como é hoje), é uma estupidez equivalente a afirmar que o 14 Bis era um avião supersônico. O que seria possível, e até viável, considerando a tecnologia da época, era transportar os cadáveres para uma área com intensa atividade vulcânica e deixar a natureza de encarregar do resto.

Já o Holocausto pode ser considerado uma pequena fração do sofrimento causado pelos povos europeus ao invadirem as Américas, dizimando os índios com suas doenças e armas. E como se já não bastasse, ainda serviam-se dos africanos, como mão-de-obra escrava, que eram transportados em péssimas condições do continente africano até o americano.

Longe de mim dizer que o Holocausto não é significativo, mas é muito pequeno (quantitativamente) se comparado a covardia do povo europeu contra os ditos povos "não civilizados". Podemos contabilizar as atrocidades do regime comunista soviético (o Holodomor é uma delas) e outros inúmeros acontecimentos onde pessoas foram torturadas e milhões de vidas foram ceifadas, movidas pela ganância do ser humano. E parece que na copa do mundo deste ano, ninguém lembra do "País do Apartheid"...

Pensar que os judeus merecem lugar de destaque na história, é ignorar o sofrimento dos demais. Ateus, muçulmanos, budistas, [insira sua religião aqui]: todos merecemos tratamento digno e igualitário.

Marco Idiart disse...

Oi Bremm

Eu não engulo que a "negação do holocausto" mesmo com um verniz técnico como tu propões tenha função de fazer justiça ao sofrimento de outros povos. No fundo é mesma balela de achar que judeus são "astutos, manipuladores, conspiradores". Ou seja, visões do século XIX.

Qualquer um sabe que,a grande repercussão deste massacre se deve ao fato de ter ocorrido num meio particularmente desenvolvido e influente da sociedade. Assim como Hiroshima, Pearl Harbor ou 11 de setembro estas coisas ficarão na história, não pelos números mas pelo significados. E isto é bom, nos ajuda humanizar, ficar mais atentos e talvez procurar mais destes erros grotescos em outros lugares.

Repito. Não te engane, negar o holocausto não é procurar justiça. É apenas um falso dilema. O reconhecimento dos sofrimentos de outros povos não necessita da minimização do sofrimento das vítimas do holocausto.

Bremm disse...

Caro Marco,

Parece que estamos com um problema de interpretação de texto aqui. Será que não fui bem claro ao dizer "que não nego a existência do holocausto"?

A minha argumentação é técnica, não é baseada em achismos e sim em procedimentos e números. Os números são imprecisos, até porque diversos documentos que continham dados coletados pela SS e pelo comando foram deliberadamente queimados (segundo historiadores) antes dos russos chegarem ao QG dos nazis.

O viés desenvolvido neste tópico não parece em nada com o que eu esperaria vindo de outro(s) ateu(s) e sim o que eu já ouvi, li e vi do ponto de vista judeu/sionista. Sendo assim, pode-se deduzir que é (são) simpatizante(s) do judaísmo como religião.

Segundo o dicionário Priberam (e o Aurélio), cético é aquele que não acredita em uma verdade absoluta. Quem acredita cegamente na história do Holocausto, da Guerra do Paraguai e tantas outras, não é cético, ao menos por definição.

Meio-cético, meio-ateu, meio-religioso, são como o Boitatá, o Saci e a Cuca, ou seja, não existem. Ou a pessoa é ou não é.

Creio que nada mais posso acrescentar aqui, pois a discussão tornou-se muito romântica e pouco técnica.

Marco Idiart disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jorge Quillfeldt disse...

Prezado Bremm,

Uma discussão sobre fatos históricos envolvendo seres humanos de verdade, muitos dos quais conhecidos pessoais ou mesmo parentes, dificilmente pode se dar ao luxo de ser... "técnica". Claro que existem números na história, mas seu valor ultrapassa a mera dimensão quantitativa, posto que humano: um assassinato é horrível, um genocídio, hediondo, mesmo assim, qual o sentido de criar uma "régua" que meça as gradações intermediárias entre ambos? Parodiando Samuel Johnson, a "discussão técnica", neste caso, pode chegar a ser o refúgio conceitual dos canalhas. Reitero o que postei aqui há mais de um ano atrás.

Marco Idiart disse...

Alo Bremm

Sobre o teu último comentário: romantismo x técnica.

Tu tens o que nós físicos chamamos "modelo". O teu modelo contradiz conclusões resultante do cruzamento de dados feitos no pós-guerra, por diferentes governos, inclusive os antisemitas. Eu diria confortavelmente que o história oficial é razoavelmente consistente.

No entanto tu preferes dar crédito ao teu modelo. Por que seria? Não serias tu um romântico também?

Não seria uma questão de aprimorar o modelo? Qual a tua previsão se a queima não fosse completa, e uns SS's com marretas terminassem o serviço? Não ficaria mais rápido?


O teu modelo pode ser objetivo ou tecnico, mas isto não o faz um bom modelo. E nem ele te faz escapar de julgamentos subjetivos e românticos.

Abraço