quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Eat mor chikin

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Frutariano é aquele que come somente frutas. A motivação usual é uma tentativa de evitar ter que matar algo para comer, e isso inclui as plantas. Por exemplo, uma cenoura não deve ser comida, enquanto que uma maçã que caiu (ou está prestes a cair), sim. Outros, mais fundamentalistas, crêem ter sido essa a alimentação de Adão e Eva no paraíso (e, imagino eu, dos animais que atualmente são carnívoros). Mas vamos nos ater aos primeiros, cuja idéia, bastante razoável, é unir sua vontade de preservação com a de ajudar as plantas a espalhar suas sementes. Mas isso nos leva a um dilema. Ao recolher as frutas, estamos privando toda uma sequência da cadeia alimentar (de minhocas a bactérias) que se alimentariam com os frutos caídos. Não há como evitar isso, a não ser, trabalhando para eliminar a humanidade predadora. Mas se a humanidade sair de cena, teremos outros animais predadores, comendo plantas e animais inocentes, sem ninguém para defendê-los, e isso não podemos admitir. Temos que garantir sua eliminação, e deixar apenas o nível básico da cadeia alimentar, somente aqueles que se alimentam do Sol, acabando assim com o atual sofrimento no mundo animal e vegetal. Mas não podemos fazer isso se saírmos de cena. Temos que eliminar a ameaça antes. Como o desperdício também é intolerável, há somente uma saída para eliminar os predadores: comê-los, todos!!

4 comentários:

Patola disse...

Fantástico! Uma refutação do "vegetarianismo ético" por reductio al absurdum! Parbaéns :D

eduardo disse...

é uma visão válida, porém, simplista.
o vegetarianismo é uma questão mais complexa, e vai além do "mal que podemos causar aos outros animais".
podemos incluir nisso a nossa capacidade de raciocinio.
Nao somos movidos apenas por instintos, entao cabe a seguinte pergunta: "devemos comer carne?"
e devemos pensar nessa questao tambem do ponto de vista nutricional: "faz bem comer carne?"
esse é um dos pontos mais interessantes, pois o gado recebe tantos antibioticos e outros quimicos que acredito que isso possa prejudicar nossa saude - mas isso é valido tambem para os agrotoxicos na plantas.

para nao me alongar muito: o que vale é o "uso racional"!
como carne, mas nao demais. pois nao concordo com o que sistema de pecuária promove hoje em dia. e a continuação deste sistema depende de mim também.

abraços!

Rusizmas disse...

Refutação do frutarianismo, quando muito. O vegetarianismo ético supracitado não recebe um arranhão, visto que o pressuposto de que sua "motivação usual é uma tentativa de evitar ter que matar algo para comer" é factualmente errada (de novo: em relação ao vegetarianismo, não ao frutarianismo, se é que alguém realmente o é, senão estamos discutindo dragões e unicórnios). Falácias, meu caro. Mesmo assim, parbaéns pela tentativa.

Bruno Graebin de Farias disse...

Dedução correta, mas está longe de ser uma refutação do vegetarianismo ético. Na realidade, o raciocínio que tu apresentastes é utilizado pela população vegetariana como a prova de que o limite estabelecido sobre o que comer e o que não comer está correto.
O erro está eem supor que o vegetariano não come animais meramente porque eles estão "vivos". Bom, eles de fato estão vivos, e a vida é uma condição necessária para atribuir dignidade (propriedade do indivíduo de existir para os seus próprios fins, enão como um meio para outro fim - ou seja, viver para si, e não para virar churrasquinho) aos animais. Mas a vida não é condição suficiente para atribuir dignidade, justamente pelo motivo que tu expôs: vida tem em todo o lugar, e é impossível não matar enquanto estamos vivendo, e inclusive se morrermos - muitos microorganismos morrem a todo instante, e mesmo se morrermos para poupá-los, estaremos matando nossas próprias células. O Jainismo é uma religião indiana que se pretende a não matar nada, e eles utilizam até máscaras no rosto para que sua respiração não mate microorganismos do ar - evidentemente, falta-lhes informação científica para entender que se mata de qualquer jeito.
Mas então, porque não matar animais? Pelo mesmo motivo que não se mata humanos. Qual é esse motivo? Intuitivamente falando, é pela empatia; filosoficamente falando, é porque eles são sujeitos como nós. A empatia se dá pela semelhança, pelo reconhecimento de uma humanidade em comum, de que ambos são sujeitos. Mas como inferimos quem é sujeito e quem não é? Frutas não são sujeitos? Para ser um sujeito, com todos os seus pensamentos, desejos, sonhos, angústias, relacionamentos e tiques, é necessário ter uma mente. Frutas, bactérias, zigotos, rádios e pedras não têm mente, portanto não são sujeitos. Animais, num geral, certamente têm mentes, o que pode ser inferido por vários aspectos, como evidências comportamentais, presença de SNC ou habilidades cognitivas, etc. O que confere a eles o direito à dignidade, que significaria o direito a poder viver livre pelo campo em vez de virar churrasco na mesa de qualquer troglodita que não entende lhufas de filosofia.
Como se pode ver, vegetarianos buscam limites mais claros e empiricamente observáveis para a atribuição da dignidade à grande diversidade de compostos químicos e sistemas auto-organizados que compõe o nosso Universo.

Leia Peter Singer, lá tem uma boa quantidade de reduções ao absurdo para deleite dos filósofos.