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sexta-feira, 9 de março de 2012

Por que não sou mais um cético ? (Stephen Bond)

Ocasionalmente, eu tento provocar o saudável debate acerca das premissas da chamada "comunidade cética" - supondo que seja apenas uma e, também, homogênea (o que não creio) - como na questão de onde estão os neoateus progressistas. Ou quando questiono (a pobreza d)os métodos analíticos geralmente empregados, como no debate sobre a argumentação teísta de Plantinga. Esse é um tema que realmente me assombra, a constatação do reacionarismo político entranhado no discurso e nas práticas de tantos ditos "céticos". No extremo, espanta-me quando um Richard Dawkins descamba para a pregação de puro e simples ódio, como faz muitas vezes. Quero entender por quê isso, e destilar possíveis regras, pois não posso crer que todos os seus admiradores, por exemplo, pensem desta forma destrutiva (para ficar no exemplo da sua pregação anti-islâmica). Pois nas últimas semanas o blogue-irmão Bule Voador está publicando, em partes, uma excelente tradução de uma magnífica reflexão do irlandês Stephen Bond, que mantém um excelente quase-blogue chamado Stephensplatz. O artigo intitula-se "Por que não sou mais um cético". O original desse texto, na íntegra, está aqui, mas fomos autorizados a reproduzir os trechos já disponíveis (4 das 5 partes) a seguir, na tradução primorosa de Alê GM, colaborador do Bule. É um texto sensacional. O autor diz muitas verdades e disseca outras com clareza extraordinária, retirando o véu de intocabilidade que também é um mecanismo de (auto)defesa que todo militante do pensamento crítico deveria estar preparado & disposto a levantar, nolens volens.

Leiam e opinem (atenção: postagem longa).
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Blogosfera, nos domínios do ruído infindo

"Algumas pessoas são homossexuais.
Supere essa!"

Uma surpreendente informação veiculada na blogosfera cética nacional acabou criando a oportunidade de postar a imagem acima com o simpático ator inglês "Sir" Ian McKellen, mais conhecido como o Magneto dos X-Gentes ou o mago Gandalf daquele enfadonho conto anelar (sim, ele é gay e militante do Stonewall).

Tudo porque um novo blogue chamado Central Ceticismo, que se propunha a ser o "ponto de encontro de céticos, ateus, agnósticos e afins" (?) e que vem, há cerca de um mês, convidando muitos de nós a integrar sua lista de blogues e çáitchis, resolveu inovar. Na verdade, não passava de uma reunião de feeds sem nenhum critério.

Até agora.

Agora eles resolveram fazer a primeira coisa original por lá: decidiram remover nada menos que o Bule Voador de sua lista sob a incrível alegação de que "ele vem se tornando um blog GLS"! Parece brincadeira, mas não é. E arrematam com determinação: "E nós da Central Ceticismo não apoiamos a homossexualidade".

Se olharem por lá, ainda acharão a observação (ver abaixo). Não parece que estejam muito preocupados com a debandada promovida pelo boicote conclamado pelos parceiros do Bule.


A propósito, nós também já solicitamos desligamento da lista deles, por razões elementares demais para demandarem maiores explicações. E por que o tom da "regra" declarada denuncia, ou ignorância de alguém muito jovem e despreparado, ou fachada para um monitoramento por parte de alguma seita religiosa dessas que têm a "cura" para a homossexualidade (entre outras "missões"). Enfim, não sabemos quem (é)são o(s) promotore(s) desse blogue-feed, e não se encontra informação de nada em parte alguma. Mas já sabemos que são homofóbicos.

Assim, talvez seja melhor garantir nossa exclusão postando fotos como as que encabeçam esta postagem...

Como vários blogues céticos já estão deitando tinta de indignação com o ocorrido, que deve ser o assunto desta semana, aproveito para explorar outro ângulo da questão. Acho que somos, em parte culpados por termos nos deixado enganar. Nossa indignação é fruto de uma certa ingenuidade em termos acatado esse blogue-feed como um igual sem maiores informações (bem, o Bule ainda estava avaliando). Como disse, não se encontra informação em parte alguma, não aparece nada no "about". Muito estranho, não?

Talvez não tão estranho. Meu palpite é que esse blogue-feed, sem sal, sem estrutura, e até o momento, sem muito critério, seja obra de algum(a) jovem adolescente em plena erupção hormonal, sublimando suas emoções, possivelmente imaginando como isso irritaria seus pais... Ei, nada contra jovens blogueiros que fazem produções sérias e maravilhosas! Mas a internet tem essa faceta do anonimato, capaz de inspirar desde frases de banheiro até os lamentáveis fêiques usados em massa nas múltiplas comunidades "sociais" que proliferam como fungos, consumindo cada vez mais tempo precioso das pessoas (eu prefiro pensá-las como "pseudo-sociais", pois não têm qualquer contacto físico). Qualquer um pode criar qualquer coisa e posar do que bem entender na grande rede hoje. A propósito, não sei se aquele negócio de Second Lifeacabou dando certo (pelo menos no Brasil), mas se não deu é por que a redona, com essas características atuais, já permite qualquer um ter sua "identidade secreta" e brincar de Bruce Wayne. A atual internet já é uma "segunda vida" para muita gente. No mau sentido, digo. Haja pano para a manga dos psicanalistas!

É bem verdade que essas ferramentas incríveis, em que pese o ônus do anonimato, pelo menos vieram democratizar a comunicação, em todos os níveis, como nunca antes se viu (democratizar pelo menos para aquele minúsculo percentual da humanidade que consegue sentar na frente de um computador com quantidade suficiente de proteínas para poder pensar, não custa enfatizar!). Assim, temporariamente teríamos de tolerar todo espectro da estupidez humana desfilando em frente de nossos olhos (incluído o infantilóide critério homofóbico acima), pois essa seria uma fase de transição. Tomara que no fim do túnel haja luz!

Desde antes da WWW, quando somente trocávamos e-malas - deu para notar que sou da velha guarda, certo? - já havia essa preocupção, e se falava em regras de netiqueta, algo que já não vejo mais sendo muito comentado. Nas redes ditas "sociais", além da neoortografia minimalista (ou seria neotaquigrafia fonética?), abandonou-se a esperança de qualquer "etiqueta" e reina o caos das opiniões instantâneas jogadas sem pensar, da expressão pura e simples, sem qualquer elaboração, do aqui-e-agora, enfim, um naodadaísmo de facto... Reina, sobretudo, a mal-criação (diferente da ironia ou do deboche, esta é unidimensional e simplesmente grosseira). Não é a toa que "gangues" rivais se insultam mutuamente e depois se encontram fisicamente para acertar as contas, agora com chumbo, não bytes. Pois bem, neste ambiente, onde se encoraja a ultraespontaneidade e a superficialidade - quiçá o apogeu e a glória da sociedade de consumo! - é de se esperar que apareça todo tipo de farsa. O blogue-feed Central Ceticismo parece ser um bom exemplo disso.

O que falta é uma nova cultura de convívio cibernético. Não faço o gênero caga-regras, portanto não quero propor nada muito radical, nenhum tipo de policiamento ou supressão. É assim, aliás, que sempre agimos neste blogue, sem qualquer moderação nos comentários - são totalmente livres - apesar de nossa ocasional clientela troll.

Minha sugestão é que ignoremos e talvez denunciemos qualquer iniciativa nova que seja anônima, porque não faz sentido céticos, científicos e racionalistas... anônimos! Não no Brasil, pelo menos. É mero bom senso exigir que um novo blogue ou çáitchi cético - e sejam bem vindos tod@s! - tenha, como critério de largada, rosto(s), nome(s), e-mala(s) e outras formas de confirmar a validade do projeto. Muito lixo seria assim evitado, sem grande estresse.

Nossos ocupados neurônios agradecem.


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