Uma sociedade cuja mediação dos conhecimentos em
grande escala está concentradíssma nas mãos da grande mídia,
norteada basicamente por
interesses econômicos imediatos e dedicada a enfocar somente
aquilo que comove, abala, ou vende... Enfim, não é de
estranhar que existam cada vez mais pessoas que, abandonadas em meio à
neblina espessa da desinformação generalizada, acabam alimentando
toda sorte de postura obscurantista. Ironicamente o mesmo tipo de
obscurantismo que costumam criticar ou temer quando se manifesta noutras
latitudes...
O problema é complexo e multicausal,
não há dúvidas, mas se deve também, em boa parte, a
um fracasso da comunidade científica, que não tem
feito sua parte, qual seja: um trabalho sistemático de
divulgação científica
que esclareça à população
o que se está fazendo,
por que
se está fazendo, e que explique
por que é necessário - pelo
menos por enquanto -
utilizar-se animais de experimentação nas ciências biomédicas, em
diversos estágios do desenvolvimento científico e tecnológico. Ou por que seria uma imensa irresponsabilidade abdicar, neste momento, deste instrumento epistemológico.
Na coluna
Observatório da
edição de fevereiro da revista Scientific American Brasil,
tentei sintetizar os
principais aspectos - geralmente desconhecidos e muitas vezes distorcidos - desse complexo e
incendiário tema. Leia a seguir.
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