terça-feira, 23 de março de 2010

A Fábula dos Não Colecionadores de Selos

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Não se sabe bem como tudo começou, mas provavelmente foi quando algumas pessoas que não colecionavam selos disseram que não o faziam por achar tudo muito tedioso. Os colecionadores, avessos à sutilezas, se revoltaram. De onde vinha tamanha agressividade? Por que eles queriam acabar com os colecionadores de selos? Por mais que os não colecionadores tentassem dizer, para justificar sua posição, que não colecionar selos não era um hobby, era inútil. Ao serem pressionados, afinal quase todo mundo colecionava selos, os não colecionadores diziam que havia mais na vida do que colecionar selos e que esta deveria ser aproveitada, pelo qual eram acusados de propagar ideologia e de falta de respeito. Por outro lado, quadros com selos eram expostos em órgãos públicos, hospitais e escolas. Os colecionadores de chaveiros, figurinhas e outras bugigangas pareciam não se importar. Até porque todas as associações de colecionadores eram isentas de pagar impostos pelo simples fato de colecionar alguma coisa, algumas até tinham acesso a meios de comunicação, que usavam para divulgar sua ideologia de colecionadores (e ganhar dinheiro para comprar mais ítens colecionáveis e assim por diante). Não é preciso dizer que os não colecionadores não tinham isenção de impostos e não tinham nenhum acesso aos meios de comunicação. Eram também ojerizados pela população: como alguém confiaria em uma pessoa que não coleciona selos? Seria um péssimo administrador, pois está escrito no manual dos colecionadores que somente esses sabem organizar as coisas, além de saber distinguir os bons selos. No manual também está escrito que é perda de tempo colecionar outras coisas e que os não colecionadores devem ser eliminados, mas este pequeno deslize anacrônico era bem disfarçado como sendo uma metáfora. O pior de tudo era a tendência dos colecionadores de colar selos por tudo, até nas coisas dos não colecionadores, principalmente seus blogs.

15 comentários:

Erwin disse...

Vamos ver quanto tempo os "colecionadores de selos" vão demorar para entender a fabula sem um "tradutor da verdade de selos"...

Ótimo texto, seria uma honra participar deste blog. Se possivel, claro.erwin.neto@hotmail.com

Israel Goncalves de Oliveira disse...

Muito legal essa fábula.

O problema é quando os que gostam de discutir sobre colecionar selos não são muito honestos.

E quando o cara que coleciona selo não é bem visto, digamos, para trabalhar com carimbo? Dizem que os carimbistas não podem ser colecionadores de selos. Pois acham que não vão carimbar os selos que não gostam e só vão carimbar os selos que gostam.

Muitos não colecionadores se acham super carimbistas SÓ porque não tem preferência nenhuma por selo algum, de qualquer tipo.

Dizem que os carimbos dos carimbistas colecionadores de selos são ruins, mal feitos, tinta suja, não seca direito, mancha. Dizem que eles vivem carimbando errado... só porque colecionam selos.

Então! Carimbar é só carimbar, faz o que tem que fazer, carimba qualquer selo sem se importar! Se a carta vai pro lugar tal, tem que ter tais selos!

Mas parece que os não colecionadores para obterem maior preferência nas contratações para carimbistas ficam espalhando fofocas sobre os colecionadores, tentam na cara dura queimar o filme dos colecionadores.

Só porque carimbar selos pode ter forte implicação ideológica, os selos não devem ser vistos como importantes, ou talvez não se deve dar valor aos desenhos. Não podemos dar valor ao Design do selo? Só porque o não colecionador não vê um Design no selo não é porque não exista um padrão que faça outros quererem colecionar selo.

Todo selo possui um Design, cada colecionar interpreta a sua maneira. Mas sabemos que o selo é visto por todos e cada selo tem sua lógica, seu valor, seu tamanho que independe de quem o coleciona.

Agora, ridículo mesmo é os não colecionadores de selos dizerem que não existe um ou mais autores para os selos! Só porque não é visto, por eles, um Design nos selos implica que não existe um Criador de Selos? Então não existe a Gráfica que imprimiu os selos?
Ou vão dizer que os selos surgiram ao acaso também? Ou veio numa mala-direta do espaço?

Só porque alguns não sabem colecionar selos não quer dizer que os que colecionam são pessoas ruins.

Se tu não tem capacidade para colecionar selos fale com quem sabe. Se tu não gosta de selos, não é porque colecionar selos é algo ruim.

Por que será que tem tanta gente que coleciona selos?

Selos... rsss

Jeferson Arenzon disse...

Caro Erwin,

A honra é nossa em ter teus comentários no blog. Como podes ver, os selos já apareceram, e como sempre, são repetidos... :-)
abs,

Anônimo disse...

Wagner disse:
Mas é claro, como foi que não percebemos isso antes? Os selos só podem existir se houver alguém que fabricou eles. Logo, a existência é um fenômeno explicado a partir do funcionamento da casa da moeda. Brilhante, filosófico, profundo.
Pessoal, como é mesmo o nome do cachorrinho do Asterix?

Taverna do Chico disse...

"Só porque não é visto, por eles, um Design nos selos implica que não existe um Criador de Selos? Então não existe a Gráfica que imprimiu os selos?".

Vou aproveitar o trecho acima, da brilhante metáfora do Israel, para corroborar minha hipótese do ramster gigante. A Terra é oca e no seu interior vive um ramster gigante que usa nosso planeta como rodinha de ramster. O ramster corre lá dentro e nosso planetinha gira aqui fora. Os terremotos ocorrem quando o ramster tropeça.

Minha hipótese é perfeitamente válida. Só porque não há evidências do ramster nem qualquer motivo sensato para crer em sua existência, não significa que ele não existe, afinal ninguém cavou tão fundo ao ponto de poder verificar.

Segundo o Israel, a única coisa que falta para a aceitação do ramster gigante como uma verdade é mais gente acreditando nele, afinal maiorias não podem estar erradas, certo? Então, descrentes, a partir de agora reconheçam, adorem e temam o rasmter gigante. Ou sofram com os terremotos!

Alexandre C. Serpa disse...

Idéiafix é o nome do cachorrinho em português. Ou DOGmatix no inglês

Mas nunca digamos que não existe a casa da moeda, claro que ela existe, afinal os selos estão aí. Ou será que isso não prova nada, posto que a casa da moeda não pode ser vista, podendo então ser que a Sabesp criou os selos, ou ainda que os selos apenas são a tentativa bem sucedida de pedaços de papel e tinta se combinarem em algo mais complexo.

Sei lá, e isso é o importante, é saber dizer 'sei lá'.

Abraços e saúde a todos

Alexandre C. Serpa disse...

esqueci ... estou lendo novamente a trilogia "foundation" do mestre Isaac Asimov, e ele cita como os 'enciclopedistas' conseguiram dominar os mundos bárbaros no 'pós-império' usando a força da ciência, mas disfarçada de colecionadores de selo .... uma ótima visão da realidade prática dos motivos da existência dos colecionadores

Israel Goncalves de Oliveira disse...

Caro Taverna,

Não seja tão ingênuo.

"Minha hipótese é perfeitamente válida. Só porque não há evidências do ramster nem qualquer motivo sensato para crer em sua existência, não significa que ele não existe, afinal ninguém cavou tão fundo ao ponto de poder verificar."

E foi isso que eu quis dizer com a minha metáfora?

Preste atenção!

Não é porque ele (eles aqui são os não colecionadores de seles)não conseguem identificar que há um desenho nos selos, o que obviamente sabemos que os selos possuem desenhos, não quer dizer que não há um autor desses desenhos.

Minha metáfora não implica que necessariamente exista tal autor. Apenas explica que negar uma evidência não a faz deixar de existir e tão pouco serve de argumento.

Anônimo disse...

Wagner disse:
Taverna, esqueceste o detalhe mais importante: O nome do Ramster gigante é BILU.

Marco Idiart disse...

Muito bom Jef.

Gostei do Ramster Gigante, apesar de desconfiar que talvez se trate de mais de um, e ativos em turnos diferentes.

Bremm disse...

Falando em filatelia, recomendo o livro "Cada Louco Com Sua Mania" de Márcio Paschoal. Lá estão explicadas, de forma humorística, diversas manias. Dentre elas, as manias ligadas à religião. :)

Ateu, graças a deus, desde 1992.

Dedalus disse...

Caro Jeferson,

Não gosto de ser chato, mas vou ser: acho que o certo é "ojeriza" e não "ogeriza".

Um abraço!

Jeferson Arenzon disse...

Dedalus,
Tens razão, acabei de arrumar.
Obrigado!

Renan Caleffi de Oliveira disse...

Fantástico.

Guids disse...

Excelente... Simplifico nessa palavra